Crítica: ministro apela à alta autoridade
GOVERNO VOLTA A ATACAR MARCELO
O ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou ontem estranhar o silêncio da Alta Autoridade para a Comunicação Social em relação aos comentários de “ódio” feitos pelo ex- presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos na TVI.
O ministro dos Assuntos Parlamentares disse estar revoltado com as falsidades de Marcelo Rebelo de Sousa.
Momentos antes de participar na cerimónia de posse da concelhia do PSD/Viseu, Rui Gomes da Silva disse sentir-se “revoltado com as mentiras” e com as “falsidades” que são proferidas todos os domingos “por um comentador que tem um problema” com o primeiro-ministro”, Pedro Santana Lopes. “Em toda a Europa, trata-se de um caso único. Não há em país algum uma pessoa a perorar 45 minutos sobre política sem ser sujeita ao contraditório e apenas a defender os seus interesses pessoais”, justificou o membro do Governo. No seu último comentário na TVI, no domingo, Marcelo Rebelo de Sousa criticou a tolerância de ponto de ontem concedida pelo Governo de Pedro Santana Lopes, dizendo que essa decisão “é pior do que o pior” do ex-primeiro-ministro António Guterres. Além disso, o ministro dos Assuntos Parlamentares aproveitou para anunciar que o Governo vai tomar uma iniciativa legislativa para impedir que dirigentes políticos sejam proprietários de empresas de sondagens, Rui Gomes da Silva referiu ainda não ter sido tomada a decisão sobre a forma como se concretizará essa alteração à lei das sondagens, se por decreto-lei, se através de uma proposta de lei a apresentar à Assembleia da República. Recorde-se que tanto o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, como o ministro da Defesa, Paulo Portas, estiveram ligados a empresas de sondagens.
Correio da Manhã, 5 de Outubro de 2004
Não sei ao certo que autoridade tem o Ministro dos Assuntos Parlamentares, mas era só o que faltava aparecer alguém com vontade de criar uma nova lei ou decreto que proibisse a liberdade de expressão.
É verdade que soube bem a toda a gente passar mais um dia em casa, por causa da tolerância de ponto. Mas, também não se pode negar que, na crise em que o país está, esta decisão não foi a mais correcta. Provavelmente, foi mesmo só para calar um pouco os funcionários públicos.
Quanto ao assunto das empresas de sondagens também há algo que não me parece muito bem. Será que os ministros têm imparcialidade suficiente para as dirigir? Duvido muito.
Por isso, seja Marcelo Rebelo de Sousa boa pessoa ou não, tem toda a razão no que diz. E mesmo que não tivesse, a censura já acabou há muito tempo, pelo menos na teórica.