Monday, May 07, 2007

32

"O Primeiro Beijo, Cena I

- Mãe, com que idade deste o teu primeiro beijo na boca?

...

A mentirinha piedosa (fiquei cheia de pena de mim) sai-me de rajada, sem pensar um segundo:

- Ai filha, aí pelos quinze anos, vá!...


(e eu, a lembrar-me que foi quase aos treze - onde ela se encontra agora - que o M. me empurrou contra a cerca do campo de jogos e, enquanto o contínuo, distraído, ralhava com um grupo mal-comportado no outro canto, me enfiava a língua pela boca abaixo sem eu ter tido tempo de soltar um ai)

É claro que ela acreditou, até porque tinha acabado de fazer a mesma pergunta ao pai, que, algures entre a tontura e o desmaio, lhe respondera, aos trinta e dois.

(continua, infelizmente, continua)"


Por
vieira do mar, no Passeai, Flores!....

Sunday, May 06, 2007

Saga no comments II

"Emigrantes ilegais foram colocados à deriva por navios Gregos em águas territoriais Turcas. (...)"

Le vrai Sarkozy

A França que virá.

Interesse público

"Lula da Silva retira patente a laboratório de medicamento contra SIDA

O Presidente Lula da Silva assinou um decreto que revoga a patente concedida ao laboratório Merck para fabrico do Efavirenz, usado contra a SIDA e distribuído gratuitamente pelo governo a 77.000 pacientes portadores do vírus HIV.
A decisão, inédita no país, vai permitir ao governo brasileiro importar versões genéricas do remédio produzidas na Índia por um preço equivalente a um quarto do que paga actualmente ao laboratório norte-americano Merck.
"Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde", afirmou Lula da Silva durante solenidade no Palácio do Planalto .
De acordo com o governo brasileiro, a medida foi adoptada depois de esgotadas todas as possibilidades de negociação com o laboratório Merck e está "em absoluta conformidade com as exigências internacionais e com a legislação brasileira".
Motivada pelo interesse público, a revogação da patente do Efavirenz caracteriza-se como uma medida legítima e necessária para garantir que todos os pacientes tenham acesso ao remédio, fornecido pelo governo brasileiro.
O ministro da Saúde do Brasil , José Gomes Temporão, explicou que o mesmo comprimido Efavirenz, vendido no mercado nacional por 1,59 dólares, custa 0,65 dólares na Tailândia.
"É uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas do ponto de vista político e económico. É um desrespeito. Como se o doente brasileiro fosse inferior... Não tem nenhuma possibilidade de aceitarmos isso", afirmou o Presidente Lula da Silva.
Segundo o Ministério da Saúde, o laboratório Merck ofereceu um desconto de 30 por cento sobre o valor de 1,59 dólares que o Brasil paga actualmente por cada comprimido de Efavirenz, mas a proposta foi rejeitada, já que é possível adquirir o comprimido por 0,45 dólares.
O anti-retroviral Efavirenz é um dos medicamentos mais importantes no tratamento da SIDA, sendo utilizado por 38 por cento dos pacientes.
O Ministério da Saúde estima que, ao revogar a patente à Merck para o fabrico do Efavirenz, que só expirava em 2012, o governo brasileiro poupará 236,8 milhões de dólares (174,253 milhões de euros)."

Wednesday, May 02, 2007

Scorpions in Love


Baby I’m sorry, I’ve got to go. Maybe i’ll write you: I probably won’t. You brought such misery into my life! Yoy’re lucky I don’t carry a knife. Baby I love you but i’ve got to go. Maybe I’ll miss you: I don’t think so! Maybe I’m lucky to be alive. Oh, what a stupid thing to remember! You put poison in my soup, you put devils in my dreams, hid your snakes in all my sockets, raised your spiders in my pockets, and you brought home for my birthday a venereal disease... give me love, give me love, oh please?! You said: “Baby let’s get married!”. You said: “Baby let’s get lost!”. I said: “Honey! I don’t mean maybe!”. You said: “Maybe, maybe, maybe. Perhaps! I don’t know... can it be? Is it so?”. Well, nevermind, I’ve got to go. If you think of what I’m thinking and I think you’re thinking of what did happen to our precious dreams... well, the dreams were not enough! Looking back now that I’m sober, this conclusion’s not absurd: baby, we were scorpions in love!
Letra de JP Simões, Belle Chase Hotel.
Fotografia de Pedro Cláudio.

Saga no comments

"Portugal oferece Estádio a cidade da Palestina

O novo Estádio Internacional da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, Cisjordânia, cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento (IPAD), vai ser inaugurado segunda-feira.
O recinto, uma oferta de Portugal aos desportistas palestinianos cuja construção custou dois milhões de dólares, tem capacidade para 6.000 espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação.
A cerimónia de inauguração, que tem o alto patrocínio do presidente Mahmoud Abbas, abrirá com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais. (...)"

Tuesday, May 01, 2007

Have sex

An advise of the British Heart Foundation.

Via PortugalDiário.

Geração Hi5

"(...) Um dia destes, por exemplo, entro no templo feminino que é o quarto da minha filha e vejo uma espécie de soutiã de silicone pendurado. Mas que raio é isto??? Tiaaaaaaa, diz-me a M., é o soutien que comprei na loja chinesa (o prolongamento do "A" não é afectação, é mais a verbalização de um desejo de intimidade). A tiaaa já viu, não tenho mamas nenhumas, sou uma tábua, é uma tristeza. Eu queria era ser assim, como a tiaaa ou a Bia, com uma coisa que se visse. Então, comprei este soutiã de silicone nos chineses, cinco euros, depois, por cima, ponho dois daqueles soutiãs com almofada e só depois é que ponho o top. E fica assim (e mostra-me foto no HI5, sem vergonha nenhuma, elas todas de decote, abraçadas umas às outras, as maminhas e os risos equiparados. E eu, a olhar para aquele horrível acessório de borracha, sem saber o que dizer. Finalmente, saiu-me qualquer coisa parva como, Oh M., mas tu tem cuidado, querida, que essa borracha tem ar de se desfazer e, com o calor do teu corpo, pode ficar colada à tua pele. Elas riem-se e disfarçam o que pensam de mim porque, enfim, imagino que seja porque lhes dou de comer e lhes pago as pizzas que passam a vida a encomendar... Catorze anos, e já mestras na arte da dissimulação sexual despudorada. Ai a minha vida."

por vieira do mar, o Passeai, Flores!

The real Turkey

"When hundreds of thousands of protesters filled the streets of Istanbul on Sunday, it may have looked like a protest of government policy.

It was not.

Behind the slogans and signs of marchers in Istanbul on Sunday and in Ankara two weeks ago was something much more basic: a fear of the lifestyles of their more religious compatriots.
(...)"


In The New York Times.

"It was with a certain excitement that I got up in the morning, early, to head for the protest that everyone has already heard about.
If you've been living in a cave, Istanbul has been home to the biggest protest known in the history of our Republic, the Caglayan rally.
People from all over Turkey arrived in Istanbul early on a warm summeresque morning to voice their opinion on the current political affairs.
(...)
Once we got closer to the meeting point, we got greeted by police men and women who were doing searches, just to make sure that we could rant in complete security. (...)
The press was already there but they weren't very welcome. The first rally that was organized in Ankara on the 14th of April had been badly covered and belittled by the press. Each time a journalist was spotted they were booed away. Especially the ones related to Dogan Media Conglomerate. (...)
Everyone stocked up on survival food and around 11.30 we were already singing and chanting slogans.
The incredible variety of citizens that was there was amazing. Students, elder people, villagers that came specially for the occasion, veterans... All side by side to defend their opinion.
(...)
Minutes and hours passed by and speeches were made, songs were sung. Thousands and hundreds of thousands of people became one and revolted against the possibility of an Islamo Fascist near future. They demanded that all other parties become one and fight the AKP. (...)
Even though by that time it was already 6pm which had meant that I hadn't sat down for 8 hours. Exhaustion was close but it was all worth it.
The protest ended towards Tunnel in Beyoglu around 7pm. There was no violence. No provocation. No threat. It was just a warning.
"

By Idil Jans, in Metroblogging Istanbul.

Friday, April 27, 2007

Under pressure

"(...) Le débat entre Ségolène Royal et François Bayrou aura bien lieu, "d'une manière ou d'une autre", a réagit Julien Dray, porte-parole de la candidate du Parti socialiste, sur l'antenne de France Inter. Toujours côté PS, Jack Lang a dénoncé des "pressions politiques". Il a affirmé que "l'Etat Sarkozy se croit déjà tout permis". Dénonçant "la pression de Nicolas Sarkozy", le numéro 1 du PS François Hollande a estimé que le débat pourrait "être organisé par la presse écrite". Aucune réaction de l'UDF n'avait été communiquée jeudi en début de soirée. (...)"

In Le Monde.

Uma análise aqui.

Manifestações

"Manifestações no 25 de Abril terminam com detenções."

Na Visão.

Dentro do mesmo assunto, este e este pontos de vista lançam alguma polémica. Parece-me que realmente vale a pena comparar a notícia do Público com a do DN. Embora só quem lá esteve saiba o que realmente se passou (e acredito que, mesmo assim, sejam várias as versões), a verdade é que algo não bate certo nos nossos meios de comunicação...
Relativamente à "Plataforma antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo", responsável pela organização da manifestação, vale também a pena ler o comunicado emitido.
Já agora, aqui fica a notícia do JN.
Todas as perguntas sem resposta aqui.

Inside the skins

Excertos da entrevista de Luís Ribeiro, em Madrid, a Antonio Salas, o único jornalista que conseguiu infiltrar-se no movimento skinhead espanhol.

Diz que 90% dos neonazis se distanciam dos movimentos quando conseguem uma relação estável ou uma família. O nazismo é apenas uma forma de preencherem uma vida vazia?
Eles entram muito jovens e quando atingem a sua primeira relação emocional, quando se casam ou têm filhos, ou quando têm o seu primeiro trabalho sério e entram dentro do capitalismo, compram um carro ou uma casa, aos poucos vão-se desligando do movimento skin.

Convertem-se ao capitalismo que tanto odeiam?
Claro. Tal como os jovens comunistas. Quando me infiltrei nos movimentos de extrema-esquerda, percebi que o sentimento desses jovens idealistas que querem acabar com o sistema se alivia quando têm o seu primeiro carro ou casa. O idealismo dos skins é igual: um fenómeno universal de juventude de luta por ideais.
(...)

Mas largar o movimento não significa deixar de ser racista ou xenófobo...
Claro. O racismo está intimamente ligado ao nacional-socialismo. A minha conclusão foi que uma imensa maioria de rapazes e raparigas são idealistas que realmente acreditam em todas estes disparates da supremacia da raça branca, da Europa branca. Mas uma das coisas que os fez aperceberem-se do absurdo foi saberem quem está por detrás. E foi esse o meu objectivo. Escrevi o Diário de um Skin para eles, para ir mais além do que eles próprios conhecem, explicar-lhes como são utilizados pelos líderes dos clubes de futebol, dos partidos, do tráfico de mulheres. [Um dos cabecilhas que Antonio Salas conheceu é dono de vários bordéis e recruta mulheres africanas e brasileiras, apesar do seu discuros anti-prostituição e anti-imigração.]
(...)

Outra inconsistência é concordarem com acções terroristas islâmicas, apesar de todo o seu ódio aos mouros. Isso notou-se no 11 de Setembro?
No 11 de Setembro, muitos nazis espanhóis felicitaram os terroristas, por terem atacado o centro aconómico judeu dos EUA. Mais do que o integralismo islâmico, os nazis apoiam qualquer causa contra os judeus, como a Palestina. O inimigo do meu inimigo é meu amigo.
(...)

Culpa dos jornalistas?
Nós temos a obrigação de dar a conhecer a realidade social. É para isso que trabalhamos. No caso de Diário de um Skin, recebi algumas críticas, por lhes dar publicidade. Mas a resposta a isso está nas centenas de mails que recebi de miúdos a largar o movimento por se aperceberem que aquilo não era exactamente como lhes contavam.
(...)

Quem apoia financeiramente estes grupos?
Distribuidoras discográficas e editoriais, clubes de futebol (que também se alimentam deles: as claques ultra são das maiores consumidoras de material de merchandizing). E este apoio é descarado e absoluto.

Por que razão é que os clubes de futebol ajudam as claques com tendências neonazis?
Essa é outra das coisas que não percebia, antes da investigação. Primeiro, porque muitos dos membros de um grupo ultra, como os 1143, em Portugal [Sporting], são sócios do clube. Votantes, que podem decidir quem vai ser o próximo presidente. No caso dos Ultrassur, do Real Madrid, eles apoiavam o «seu» candidato. Mais: eu saí literalmente afónico do estádio, a apoiar a equipa a gritar durante 90 minutos. Ninguém grita mais alto dos que os ultras. E isso até os jogadores notam, sobretudo quando jogam fora. Não lhes importa [aos clubes] que depois, fora do estádio, matem um negro. Daí que os jogadores posem para a fotografia com produtos dos ultra, como fizeram Figo, Guti, Casillas, Raul. Quanto vale um spot publicitário destes? Quanto vale a imagem de um Figo a anunciar os produtos que vendem?

Os clubes fazem tudo o que podem para ajudar a suprimir os neonazis das suas claques?
Só quando matam alguém. Quando ocorre uma morte, os meios de comunicação dão-lhe uma repercussão mediática e os clubes vêem-se obrigados a fazer alguma coisa. Mas é muito difícil para um clube renunciar aos seus ultras. Pelo apoio, pelo merchandizing que eles compram. E também por medo. Há o caso de jogadores que foram agredidos por ultras, como aconteceu no Atlético de Madrid, por não lhes dar apoio público. Esse também é um factor a ter em conta.

O futebol é o que provoca a violência ou apenas uma justificação?
É só uma justificação. Essa violência está presente em qualquer acto da comunidade skin. As letras das canções, os discursos políticos, o ódio que se renova todos os dias. Além disso, o futebol é também um meio de fazer passar a imagem. As bancadas transformam-se, nesse momento, numa TV para o mundo. Eles sabem que num jogo há mais câmaras do que em qualquer manifestação de neonazis. Uma simples faixa contra a imigração será vista em todo o mundo.

Qual é a importância da música no movimento?
Fundamental. A primeira vez que me apercebi dessa importância foi com um grupo português, os Evangélico. Fazem parte da Ordem Lusa, uma das organizações mais antigas em Portugal. A música é o meio para transmitir a mensagem aos jovens. Um rapaz de 16 anos aborrece-se com um encontro político sobre a história da supremacia racial. Num concerto, a mensagem é transmitida com muito mais força e energia do que 40 meetings políticos. A música dos grupos patrióticos e nacionalistas não é apenas música, é propaganda política.
(...)

Na Visão.

Thursday, April 26, 2007

Regresso ao blog

Às vezes a vida retoma o seu sentido... Finalmente acho que aconteceu comigo. Nada que um puxão de orelhas não bastasse, mas foram precisos bastantes. É essencial que se compreenda o que realmente se quer. Agora vejo uma luzinha que me indica o caminho. Não sei se o correcto, mas é para onde eu irei. A familia começa a ver de casa para irmos embora. Para onde, não sei, mas que não seja para a cidade como o meu irmão quer. Eu por mim não saía, mas logo vejo. Procuro emprego para ocupar algumas horas, mas está complicado. Talvez não ande a procurar nos sitios certos ou então estou nos sitios certos mas à hora errada.
Agora estou num computador da faculdade a escrever isto. Porque em casa existem coisas mais interessantes a fazer. hehehe www.simracingportugal.net/frc vejam a parte da formula 1 e da formula BMW. Estou lá batido. Não que possa ganhar o da formula 1, infelizmente, mas estou na luta pelo da formula BMW. Muito treino é preciso. Quanto à faculdade, já esteve melhor, mas vou melhorar essa vertente outra vez. Ai vida... Oremos!

Wednesday, April 25, 2007

Ensemble

25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim

Mais um excelente texto, nesta gigantesca onda de posts dedicados ao 25 de Abril.

"Hoje, há trinta e três anos, a história do meu Pai mudou para sempre. Depois desse 25 de Abril a preto e branco o meu pai soube da decepção, da vida no exílio, dos atentados, da impotência, da dor de não abraçar a mãe, das saudades do cheiro da terra. Morreu cedo demais para perceber porque pegou nesse tanque em Estremoz e tomou a PIDE, por que valeu a pena honrar com um golpe de estado toda uma geração perdida nas guinés e angolas que agora já ninguém recorda. A ele que um ano depois numa carta de duas folhas disse que assim não, que Portugal não merecia desperdiçar-se nas mãos de gananciosos e miseráveis aduladores da liberdade, deve ter-lhe custado assimilar o fracasso dos homens. E agora, neste meu país infestado de supostos patriotas, imbecis que adoram hinos, neste Portugal dele onde qualquer banco viola a bandeira para vender produtos financeiros, se estivesse vivo, rodeado de traidores que se enriqueceram vestidos de sindicalistas e meninos de papá que votam por sms no Salazar sem sonhar o que é viver numa ditadura e morrer na guerra, tenho a certeza que voltaria a pegar nesse tanque, honroso da farda. Quando releio essa carta, a da deserção de 75, a que nos levou a todos em viver em hotéis e a ter guarda-costas, vejo um homem digno, profundamente democrata e entregado ao País, que se levantou da cama e da burguesia para democratizar um Portugal analfabeto, mutilado em África, estupidificado pela solidão e o fado. O que aconteceu depois, a manipulação dessa ousadia, o roubo de terras e a estupidificação do povo faminto nada tem a ver com essa madrugada esperançosa.
Por isso, se me repugna a apropriação da esquerda da luta pela liberdade mais ainda me enoja esta onda pós-moderna dos betinhos da direita, que ofende com o seu desprezo e falta de patriotismo estes homens, capitães e jovens, que num dia como hoje, há trinta e três anos atrás, só quiseram um país melhor. 25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim.
"

Por Rititi.