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Wednesday, July 04, 2007

Ai Portugal, Portugal

[Perguntas de uma lisboeta.]

- Então e quanto tempo demoras de Coimbra à Lousã?
- Cerca de meia hora quando vou de carro...
- Pela auto-estrada?
- ...

Wednesday, June 27, 2007

Este livro branco parece-me um bocado negro.

Thursday, May 31, 2007

Toca a Ganhar

Aqui ao lado.

Foto da GQ.

Wednesday, May 30, 2007

Mas que bela resposta...

Tão inteligente.

Bem visto

Tou Mad p ñ ter Rolling Eyes nada d k tu tavas dzer tou msm Embarassed dass Evil or Very Mad

Ora, se os erros de ortografia não contam para a avaliação, se só conta a compreensão do texto do parte do aluno, é possível que haja tantos erros que não se compreenda se o aluno compreendeu. Portanto, neste caso, por absurdo e por uma vez sem exemplo, os alunos podem escrever em linguagem messenger/SMS, né?

Thursday, May 24, 2007

Se eu fosse inglês talvez pudesse contar uma anedota

"Estava para contar aqui uma anedota sobre um alentejano que tirou um curso superior em Lisboa mas como o tema parece não agradar ás autoridades, decidi desviar-me do assunto.
Se eu fosse inglês, poderia utilizar este link para perguntar ao meu deputado se acha normal que alguém tenha um processo disciplinar por dizer uma piada sobre o Primeiro-Ministro. Se ele não me respondesse, iria a este site que lhe enviaria os mails que fossem necessários até obter uma resposta. Poderia ainda consultar aqui a assiduidade parlamentar do meu deputado e a maneira como vota ou ainda saber o que pensa e se tem sentido de humor. Se fosse muito curioso, poderia até ver a sua declaração de interesses ou verificar como é que o partido é financiado e quanto gasta na campanha eleitoral.
Como sou português e por isso benefício de um nível de democracia muito mais elevado do que os ingleses, não faço a mínima ideia de quem é o meu deputado, não sei o que pensa nem como vota nem quantas vezes vai ao Parlamento, não sei se tem outras ocupações remuneradas para além da de deputado e também não sei como lhe hei-de perguntar se o humor (mesmo mau) já é crime ou se já há uma lista de pessoas que não podem ser alvo de uma piada entre amigos.
Se eu fosse inglês talvez pudesse contar uma anedota sobre alentejanos e cursos superiores."

Monday, May 21, 2007

Primeiro-ministro pede o esforço de todos por um país mais pobre.

Fugiu-lhe a boca para a verdade?

Comentário ponderado

"O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal."

Thursday, May 10, 2007

Uma experiência num centro de saúde português

Confesso que sempre senti alguma relutância em ir ao hospital, espero até amanhã, se entretanto não estiver melhor, penso no assunto. Interminavelmente, até ao dia em que já nem me lembro do problema. Infelizmente, hoje não consegui arranjar mais desculpas para adiar e tive mesmo de ir ao hospital, o que se revelou uma experiência quase hilariante (se não fosse um assunto sério).
Primeiro, entrei pela porta habitual e logo me avisaram que estava tudo diferente, que as urgências eram agora no terceiro andar, que tinha de subir as escadas até ao fim. Ainda bem que não tenho nenhuma perna partida, penso eu, enquanto subo as tais escadas. Chego, finalmente, ao terceiro andar e... e nada. Um corredor deserto. Ainda ando para trás e para a frente mas, como aquilo não podia mesmo ser as urgências, volto a descer as escadas. No segundo andar lá encontro outra enfermeira, que me pergunta onde é que eu quero ir.
- As urgências?! Ó menina, então não vê que é já aqui?
Pois. Já aqui. Parece que as urgências agora passaram a ser designadas de "consultas complementares". Lá me chego à secretaria, onde uma mulher parece ter alguma dificuldade em entender-se com o computador.
- Ai, então agora tenho de fazer tudo outra vez? Sinceramente não percebo estas máquinas, as coisas funcionavam muito melhor quando era tudo feito à mão. Assim não dá!
Assim não dá, penso eu... Tantas pessoas qualificadas a precisar de emprego e esta gente a fazer-nos perder tempo. Passados dez minutos, lá a mulher conseguiu orientar a única pessoa que estava à minha frente...
- Seguinte!, - alto e bom som, mesmo sendo eu a única pessoa ali na sala.
Pega-me no cartão, passa os meus dados para o computador, procurando cada letra e teclando pesadamente com o indicador direito, como se o fizesse numa máquina de escrever. Desculpe a pergunta, mas é que isto está tudo mudado... Para onde é que vou agora?
- A menina espera aí na sala ao lado até que alguém a chame.
Ok, obrigada. Sento-me, pego num livro e mal dou pelo passar do tempo até que uma voz estridente é ouvida em toda a sala:
- #%&#? ?&%# UNES!.
"Unes"? Ninguém se levanta, posso ser eu... Então e agora? Lá vou eu ter de novo com a mulher. Olhe, desculpe lá outra vez, mas é que acho que ouvi o meu apelido.
- Então, está à espera de quê?
Bem, é que eu nem sequer tenho a certeza, não deu para perceber...
- Se mais ninguém se levantou, não há muitas dúvidas, certo?
Raio da mulher, só me faltava mais esta... Olhe esqueça lá isso e diga-me para que sala é que vou então.
- Então, agora vai para a sala de quem a chamou!
Para a sala de quem me chamou?! Realmente só pode estar a gozar comigo... Se mal percebi o meu nome, de tão deformada que estava a voz, se não conheço aqui ninguém, como é que eu sei quem é que me chamou?
- Ai que hoje só me dão trabalho! Assim não pode ser... Não faço mais nada, não é? - Pega no telefone. - Sra. enfermeira, por acaso chamou alguém no altifalante? Não? Prontos, obrigada. Então e agora? A doutora não pode ser porque tem de ser atendida por uma enfermeira primeiro. - Pega novamente no telefone. Ninguém atende. - Ai, mas olha que esta... Realmente não me faltava mais nada...
Abre-se uma porta ao lado.
- Olhe lá, por acaso não tem a ficha do próximo paciente? É que a senhora que eu chamei não me aparece.
- Ó Sra. doutora, então deve ser esta menina que aqui está... Como é que ela se chama? Pois, vá lá...
E eu a falar com os meus botões... não vou reclamar antes de ser atendida, não vou reclamar antes de ser atendida, não vou reclamar antes de ser atendida... Entro na sala.
Boa tarde. Sento-me. Espero por um feedback do outro lado da secretária. Nada. Uma vez mais, o computador é o centro das atenções. Estranhamente, porque ainda não disse nada, a médica não pára de teclar no computador. Com o dentro indicador direito. Procurando cada tecla. Continuo à espera. Finalmente, uma voz pergunta-me porque estou ali. Uma voz, porque os olhos continuam presos ao ecrã do computador. Explico a situação, ela pega numa luzinha, aponta-ma para os olhos e dá uma olhadela de relance.
- Pois, tem razão. (Ei, mas será que ela chegou a olhar para mim?!)
Bem, então e o que posso fazer para prevenir que isto volte a acontecer? É que é sempre nesta altura do ano.
- Pois, é uma conjuntivite alérgica, demora a passar.
(...) Então e o que posso fazer?
- Leva esta receita aqui, agora com os novos impressos não é preciso selo.
Então mas (e a mulher ainda não tirou os olhos do ecrã do PC)... Ok, deixe estar, tenha um bom dia. Nesta altura, já só queria distância do hospital, nem que isso significasse ter de lá voltar para o ano.
Poucos minutos depois, na farmácia. Boa tarde, aqui está a receita. A farmacêutica vai buscar os medicamentos, volta, olha para a receita, olha para mim.
- Olhe, desculpe, isto é para si?
Sim...
- Que idade tem?
Vinte e dois, porquê?
- Bem, é que a dosagem indicada é para crianças...
Para crianças?! Então, mas...
- Pode mostrar-me o seu cartão de saúde? (...) Pois, parece que a médica a trocou por outro paciente, mais novo. Os medicamentos estão correctos mas o nome na receita não é o seu. É estranho ela não ter percebido a diferença de idades, não é?
Pois, suponho que seria se ela tivesse olhado uma única vez para mim!

Wednesday, May 02, 2007

Saga no comments

"Portugal oferece Estádio a cidade da Palestina

O novo Estádio Internacional da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, Cisjordânia, cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento (IPAD), vai ser inaugurado segunda-feira.
O recinto, uma oferta de Portugal aos desportistas palestinianos cuja construção custou dois milhões de dólares, tem capacidade para 6.000 espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação.
A cerimónia de inauguração, que tem o alto patrocínio do presidente Mahmoud Abbas, abrirá com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais. (...)"

Friday, April 27, 2007

Manifestações

"Manifestações no 25 de Abril terminam com detenções."

Na Visão.

Dentro do mesmo assunto, este e este pontos de vista lançam alguma polémica. Parece-me que realmente vale a pena comparar a notícia do Público com a do DN. Embora só quem lá esteve saiba o que realmente se passou (e acredito que, mesmo assim, sejam várias as versões), a verdade é que algo não bate certo nos nossos meios de comunicação...
Relativamente à "Plataforma antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo", responsável pela organização da manifestação, vale também a pena ler o comunicado emitido.
Já agora, aqui fica a notícia do JN.
Todas as perguntas sem resposta aqui.

Wednesday, April 25, 2007

25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim

Mais um excelente texto, nesta gigantesca onda de posts dedicados ao 25 de Abril.

"Hoje, há trinta e três anos, a história do meu Pai mudou para sempre. Depois desse 25 de Abril a preto e branco o meu pai soube da decepção, da vida no exílio, dos atentados, da impotência, da dor de não abraçar a mãe, das saudades do cheiro da terra. Morreu cedo demais para perceber porque pegou nesse tanque em Estremoz e tomou a PIDE, por que valeu a pena honrar com um golpe de estado toda uma geração perdida nas guinés e angolas que agora já ninguém recorda. A ele que um ano depois numa carta de duas folhas disse que assim não, que Portugal não merecia desperdiçar-se nas mãos de gananciosos e miseráveis aduladores da liberdade, deve ter-lhe custado assimilar o fracasso dos homens. E agora, neste meu país infestado de supostos patriotas, imbecis que adoram hinos, neste Portugal dele onde qualquer banco viola a bandeira para vender produtos financeiros, se estivesse vivo, rodeado de traidores que se enriqueceram vestidos de sindicalistas e meninos de papá que votam por sms no Salazar sem sonhar o que é viver numa ditadura e morrer na guerra, tenho a certeza que voltaria a pegar nesse tanque, honroso da farda. Quando releio essa carta, a da deserção de 75, a que nos levou a todos em viver em hotéis e a ter guarda-costas, vejo um homem digno, profundamente democrata e entregado ao País, que se levantou da cama e da burguesia para democratizar um Portugal analfabeto, mutilado em África, estupidificado pela solidão e o fado. O que aconteceu depois, a manipulação dessa ousadia, o roubo de terras e a estupidificação do povo faminto nada tem a ver com essa madrugada esperançosa.
Por isso, se me repugna a apropriação da esquerda da luta pela liberdade mais ainda me enoja esta onda pós-moderna dos betinhos da direita, que ofende com o seu desprezo e falta de patriotismo estes homens, capitães e jovens, que num dia como hoje, há trinta e três anos atrás, só quiseram um país melhor. 25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim.
"

Por Rititi.

Tuesday, April 24, 2007

O outro lado do 25 de Abril

"Mal terminada a festa, quando parecia conquistada a esperança, logo uma escumalha ressabiada e intolerante ocupou a praça, a estragar tudo. A turba em tons vermelhos e de punho erguido bradou à morte e incitou à guerra. A que chamavam luta. Iniciando então um impiedoso assalto ao poder que todos os dias nos roubava mais a liberdade. Então, a revolução de 74 abalroou a minha vida, assaltou a casa dos meus pais. Para nos tornar em novos proscritos. Só por causa de um velho apelido, e por tanto ódio.
Na época, eu era um imberbe e juvenil estudante, que por imitação do meu pai me tornara precocemente politizado e discursivamente assertivo. E foram muitas as angústias e apreensões vividas em família naqueles inesquecíveis tempos “revolucionários”.
Os sentimentos por mim experimentados na sequencia da revolução de Abril, as memórias que guardo daqueles protagonistas, as lembranças dos seus esgares e trejeitos fanáticos, das suas arbitrariedades e da minha total impotência, causam-me ainda hoje amargos sentimentos.
Reconheço na democracia conquistada à posteriori, o melhor sistema político possível. Como cristão e democrata, bater-me-ei sempre com todas as minhas forças pela liberdade e pela justiça. Hoje como então.
Por mim, agradeço a liberdade pela qual afinal também lutei. Mas não me convidem para esta festa da qual fui excluído faz amanhã 33 anos."
Por João Távora, no Corta-Fitas.

José Socrates, le Tony Blair portugais IV

"(...) Mais il a coutume, à propos de son avenir, de citer la devise qui lui sert de règle de vie: «Dans toute aventure, le plus important est de partir, pas d’arriver» (...)"

José Socrates, le Tony Blair portugais III

"(...) Dans son bureau de la fondation qui porte son nom, à côté du Parlement, Mario Soares, le patriarche du PS portugais, « Socrates est un homme déterminé, pragmatique et courageux. Il décide, il commande et il fait. Son objectif n’est pas d’en finir avec les riches, c’est d’en finir avec les pauvres!» (...)"

José Socrates, le Tony Blair portugais II

"(...) Avec son faux air de Dustin Hoffman sous des cheveux poivre et sel coupés court, ses costumes Armani ou Hugo Boss qui agacent l’aile gauche de son parti, ce socialiste iconoclaste n’a jamais promis la lune à personne. Depuis deux ans qu’il gouverne, il n’a qu’une obsession : remettre le Portugal à flot, quitte à pratiquer un socialisme à rebrousse-poil. « Comparées à ce que Socrates fait ici, les cent mesures de Ségolène, c’est le paradis pour tout le monde ! » résume Teresa de Sousa, éditorialiste à Publico . (...)"

José Sócrates, le Tony Blair portugais I

«Heureusement que les socialistes français ne sont pas comme lui, sinon j’aurais du mal à me positionner!»
Nicolas Sarkozy, in Le Point.