Friday, April 27, 2007

Under pressure

"(...) Le débat entre Ségolène Royal et François Bayrou aura bien lieu, "d'une manière ou d'une autre", a réagit Julien Dray, porte-parole de la candidate du Parti socialiste, sur l'antenne de France Inter. Toujours côté PS, Jack Lang a dénoncé des "pressions politiques". Il a affirmé que "l'Etat Sarkozy se croit déjà tout permis". Dénonçant "la pression de Nicolas Sarkozy", le numéro 1 du PS François Hollande a estimé que le débat pourrait "être organisé par la presse écrite". Aucune réaction de l'UDF n'avait été communiquée jeudi en début de soirée. (...)"

In Le Monde.

Uma análise aqui.

Manifestações

"Manifestações no 25 de Abril terminam com detenções."

Na Visão.

Dentro do mesmo assunto, este e este pontos de vista lançam alguma polémica. Parece-me que realmente vale a pena comparar a notícia do Público com a do DN. Embora só quem lá esteve saiba o que realmente se passou (e acredito que, mesmo assim, sejam várias as versões), a verdade é que algo não bate certo nos nossos meios de comunicação...
Relativamente à "Plataforma antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo", responsável pela organização da manifestação, vale também a pena ler o comunicado emitido.
Já agora, aqui fica a notícia do JN.
Todas as perguntas sem resposta aqui.

Inside the skins

Excertos da entrevista de Luís Ribeiro, em Madrid, a Antonio Salas, o único jornalista que conseguiu infiltrar-se no movimento skinhead espanhol.

Diz que 90% dos neonazis se distanciam dos movimentos quando conseguem uma relação estável ou uma família. O nazismo é apenas uma forma de preencherem uma vida vazia?
Eles entram muito jovens e quando atingem a sua primeira relação emocional, quando se casam ou têm filhos, ou quando têm o seu primeiro trabalho sério e entram dentro do capitalismo, compram um carro ou uma casa, aos poucos vão-se desligando do movimento skin.

Convertem-se ao capitalismo que tanto odeiam?
Claro. Tal como os jovens comunistas. Quando me infiltrei nos movimentos de extrema-esquerda, percebi que o sentimento desses jovens idealistas que querem acabar com o sistema se alivia quando têm o seu primeiro carro ou casa. O idealismo dos skins é igual: um fenómeno universal de juventude de luta por ideais.
(...)

Mas largar o movimento não significa deixar de ser racista ou xenófobo...
Claro. O racismo está intimamente ligado ao nacional-socialismo. A minha conclusão foi que uma imensa maioria de rapazes e raparigas são idealistas que realmente acreditam em todas estes disparates da supremacia da raça branca, da Europa branca. Mas uma das coisas que os fez aperceberem-se do absurdo foi saberem quem está por detrás. E foi esse o meu objectivo. Escrevi o Diário de um Skin para eles, para ir mais além do que eles próprios conhecem, explicar-lhes como são utilizados pelos líderes dos clubes de futebol, dos partidos, do tráfico de mulheres. [Um dos cabecilhas que Antonio Salas conheceu é dono de vários bordéis e recruta mulheres africanas e brasileiras, apesar do seu discuros anti-prostituição e anti-imigração.]
(...)

Outra inconsistência é concordarem com acções terroristas islâmicas, apesar de todo o seu ódio aos mouros. Isso notou-se no 11 de Setembro?
No 11 de Setembro, muitos nazis espanhóis felicitaram os terroristas, por terem atacado o centro aconómico judeu dos EUA. Mais do que o integralismo islâmico, os nazis apoiam qualquer causa contra os judeus, como a Palestina. O inimigo do meu inimigo é meu amigo.
(...)

Culpa dos jornalistas?
Nós temos a obrigação de dar a conhecer a realidade social. É para isso que trabalhamos. No caso de Diário de um Skin, recebi algumas críticas, por lhes dar publicidade. Mas a resposta a isso está nas centenas de mails que recebi de miúdos a largar o movimento por se aperceberem que aquilo não era exactamente como lhes contavam.
(...)

Quem apoia financeiramente estes grupos?
Distribuidoras discográficas e editoriais, clubes de futebol (que também se alimentam deles: as claques ultra são das maiores consumidoras de material de merchandizing). E este apoio é descarado e absoluto.

Por que razão é que os clubes de futebol ajudam as claques com tendências neonazis?
Essa é outra das coisas que não percebia, antes da investigação. Primeiro, porque muitos dos membros de um grupo ultra, como os 1143, em Portugal [Sporting], são sócios do clube. Votantes, que podem decidir quem vai ser o próximo presidente. No caso dos Ultrassur, do Real Madrid, eles apoiavam o «seu» candidato. Mais: eu saí literalmente afónico do estádio, a apoiar a equipa a gritar durante 90 minutos. Ninguém grita mais alto dos que os ultras. E isso até os jogadores notam, sobretudo quando jogam fora. Não lhes importa [aos clubes] que depois, fora do estádio, matem um negro. Daí que os jogadores posem para a fotografia com produtos dos ultra, como fizeram Figo, Guti, Casillas, Raul. Quanto vale um spot publicitário destes? Quanto vale a imagem de um Figo a anunciar os produtos que vendem?

Os clubes fazem tudo o que podem para ajudar a suprimir os neonazis das suas claques?
Só quando matam alguém. Quando ocorre uma morte, os meios de comunicação dão-lhe uma repercussão mediática e os clubes vêem-se obrigados a fazer alguma coisa. Mas é muito difícil para um clube renunciar aos seus ultras. Pelo apoio, pelo merchandizing que eles compram. E também por medo. Há o caso de jogadores que foram agredidos por ultras, como aconteceu no Atlético de Madrid, por não lhes dar apoio público. Esse também é um factor a ter em conta.

O futebol é o que provoca a violência ou apenas uma justificação?
É só uma justificação. Essa violência está presente em qualquer acto da comunidade skin. As letras das canções, os discursos políticos, o ódio que se renova todos os dias. Além disso, o futebol é também um meio de fazer passar a imagem. As bancadas transformam-se, nesse momento, numa TV para o mundo. Eles sabem que num jogo há mais câmaras do que em qualquer manifestação de neonazis. Uma simples faixa contra a imigração será vista em todo o mundo.

Qual é a importância da música no movimento?
Fundamental. A primeira vez que me apercebi dessa importância foi com um grupo português, os Evangélico. Fazem parte da Ordem Lusa, uma das organizações mais antigas em Portugal. A música é o meio para transmitir a mensagem aos jovens. Um rapaz de 16 anos aborrece-se com um encontro político sobre a história da supremacia racial. Num concerto, a mensagem é transmitida com muito mais força e energia do que 40 meetings políticos. A música dos grupos patrióticos e nacionalistas não é apenas música, é propaganda política.
(...)

Na Visão.

Thursday, April 26, 2007

Regresso ao blog

Às vezes a vida retoma o seu sentido... Finalmente acho que aconteceu comigo. Nada que um puxão de orelhas não bastasse, mas foram precisos bastantes. É essencial que se compreenda o que realmente se quer. Agora vejo uma luzinha que me indica o caminho. Não sei se o correcto, mas é para onde eu irei. A familia começa a ver de casa para irmos embora. Para onde, não sei, mas que não seja para a cidade como o meu irmão quer. Eu por mim não saía, mas logo vejo. Procuro emprego para ocupar algumas horas, mas está complicado. Talvez não ande a procurar nos sitios certos ou então estou nos sitios certos mas à hora errada.
Agora estou num computador da faculdade a escrever isto. Porque em casa existem coisas mais interessantes a fazer. hehehe www.simracingportugal.net/frc vejam a parte da formula 1 e da formula BMW. Estou lá batido. Não que possa ganhar o da formula 1, infelizmente, mas estou na luta pelo da formula BMW. Muito treino é preciso. Quanto à faculdade, já esteve melhor, mas vou melhorar essa vertente outra vez. Ai vida... Oremos!

Wednesday, April 25, 2007

Ensemble

25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim

Mais um excelente texto, nesta gigantesca onda de posts dedicados ao 25 de Abril.

"Hoje, há trinta e três anos, a história do meu Pai mudou para sempre. Depois desse 25 de Abril a preto e branco o meu pai soube da decepção, da vida no exílio, dos atentados, da impotência, da dor de não abraçar a mãe, das saudades do cheiro da terra. Morreu cedo demais para perceber porque pegou nesse tanque em Estremoz e tomou a PIDE, por que valeu a pena honrar com um golpe de estado toda uma geração perdida nas guinés e angolas que agora já ninguém recorda. A ele que um ano depois numa carta de duas folhas disse que assim não, que Portugal não merecia desperdiçar-se nas mãos de gananciosos e miseráveis aduladores da liberdade, deve ter-lhe custado assimilar o fracasso dos homens. E agora, neste meu país infestado de supostos patriotas, imbecis que adoram hinos, neste Portugal dele onde qualquer banco viola a bandeira para vender produtos financeiros, se estivesse vivo, rodeado de traidores que se enriqueceram vestidos de sindicalistas e meninos de papá que votam por sms no Salazar sem sonhar o que é viver numa ditadura e morrer na guerra, tenho a certeza que voltaria a pegar nesse tanque, honroso da farda. Quando releio essa carta, a da deserção de 75, a que nos levou a todos em viver em hotéis e a ter guarda-costas, vejo um homem digno, profundamente democrata e entregado ao País, que se levantou da cama e da burguesia para democratizar um Portugal analfabeto, mutilado em África, estupidificado pela solidão e o fado. O que aconteceu depois, a manipulação dessa ousadia, o roubo de terras e a estupidificação do povo faminto nada tem a ver com essa madrugada esperançosa.
Por isso, se me repugna a apropriação da esquerda da luta pela liberdade mais ainda me enoja esta onda pós-moderna dos betinhos da direita, que ofende com o seu desprezo e falta de patriotismo estes homens, capitães e jovens, que num dia como hoje, há trinta e três anos atrás, só quiseram um país melhor. 25 de Abril, para sempre não, mas hoje sim.
"

Por Rititi.

Confiança indiana

"Rajiv é filho de um casal que emigrou dos famintos planaltos indostânicos para os subúrbios de Nova Deli. Na cidade, o ganha-pão da família dependia das pernas do pai, paquete numa repartição pública, e das mãos da mãe, empregada de limpeza. Um dia, ao voltar da escola, Rajiv viu numa papelaria o livro “Teach yourself English in seven days”. Hesitou, mas confiou no dono, que lhe disse que bastavam 900 palavras para dominar a língua. Afinal, pensou, a um ritmo de aprendizagem de 30 palavras novas por dia, seria daqui a três meses fluente na língua de todos os sonhos. Hoje Rajiv é engenheiro informático na Califórnia, vive num apartamento à beira-mar, e tem três televisões, dois frigoríficos, um carro e uma mota. (...)"
Por Constantino Xavier, no a vida em deli.
Publicado na Revista Atlântico, Junho de 2006
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Tuesday, April 24, 2007

O outro lado do 25 de Abril

"Mal terminada a festa, quando parecia conquistada a esperança, logo uma escumalha ressabiada e intolerante ocupou a praça, a estragar tudo. A turba em tons vermelhos e de punho erguido bradou à morte e incitou à guerra. A que chamavam luta. Iniciando então um impiedoso assalto ao poder que todos os dias nos roubava mais a liberdade. Então, a revolução de 74 abalroou a minha vida, assaltou a casa dos meus pais. Para nos tornar em novos proscritos. Só por causa de um velho apelido, e por tanto ódio.
Na época, eu era um imberbe e juvenil estudante, que por imitação do meu pai me tornara precocemente politizado e discursivamente assertivo. E foram muitas as angústias e apreensões vividas em família naqueles inesquecíveis tempos “revolucionários”.
Os sentimentos por mim experimentados na sequencia da revolução de Abril, as memórias que guardo daqueles protagonistas, as lembranças dos seus esgares e trejeitos fanáticos, das suas arbitrariedades e da minha total impotência, causam-me ainda hoje amargos sentimentos.
Reconheço na democracia conquistada à posteriori, o melhor sistema político possível. Como cristão e democrata, bater-me-ei sempre com todas as minhas forças pela liberdade e pela justiça. Hoje como então.
Por mim, agradeço a liberdade pela qual afinal também lutei. Mas não me convidem para esta festa da qual fui excluído faz amanhã 33 anos."
Por João Távora, no Corta-Fitas.

Voos da CIA

"(...) Qualquer operação na Europa foi feita com o apoio conhecedor e a aprovação dos serviços de segurança europeus envolvidos. (...)"
Por Michael Scheuer, antigo agente da CIA.
Divulgado por Ana Gomes, no
Causa Nossa.

José Socrates, le Tony Blair portugais IV

"(...) Mais il a coutume, à propos de son avenir, de citer la devise qui lui sert de règle de vie: «Dans toute aventure, le plus important est de partir, pas d’arriver» (...)"

José Socrates, le Tony Blair portugais III

"(...) Dans son bureau de la fondation qui porte son nom, à côté du Parlement, Mario Soares, le patriarche du PS portugais, « Socrates est un homme déterminé, pragmatique et courageux. Il décide, il commande et il fait. Son objectif n’est pas d’en finir avec les riches, c’est d’en finir avec les pauvres!» (...)"

José Socrates, le Tony Blair portugais II

"(...) Avec son faux air de Dustin Hoffman sous des cheveux poivre et sel coupés court, ses costumes Armani ou Hugo Boss qui agacent l’aile gauche de son parti, ce socialiste iconoclaste n’a jamais promis la lune à personne. Depuis deux ans qu’il gouverne, il n’a qu’une obsession : remettre le Portugal à flot, quitte à pratiquer un socialisme à rebrousse-poil. « Comparées à ce que Socrates fait ici, les cent mesures de Ségolène, c’est le paradis pour tout le monde ! » résume Teresa de Sousa, éditorialiste à Publico . (...)"

José Sócrates, le Tony Blair portugais I

«Heureusement que les socialistes français ne sont pas comme lui, sinon j’aurais du mal à me positionner!»
Nicolas Sarkozy, in Le Point.

Muros

"'One fit all'. É esta a lógica dos americanos. Onde há problemas sociais e políticos, toca a erguer muros. Porque se não está à vista não incomoda.
Depois do muro a separar Israel de alguns dos territórios palestinianos, veio o muro na fronteira entre os EUA e o México. Agora, o novo embaixador dos EUA no Iraque quer muros em Bagdad. No fundo, revela um pensamento de criança de 2 anos: se não se vê é porque "não há". Mas nada apaga a manifestação dos iraquianos contra a ocupação do Iraque. Os iraquianos não os querem lá e não há muro que mude isso.
Erguem muros pelo mundo fora, mas não conseguem derrubar os que têm nas suas cabeças. às vezes a destruição também é construção.
"

N'O Bitoque.

UnIgate

O blogue Do Portugal Profundo continua a sua investigação sobre o caso UnIgate: As equivalências de Sócrates. Neste post, António Balbino Caldeira não só analisa as várias pecularidades do processo, como ainda transcreve um artigo bastante esclarecedor, do Público de 22-4-2007:
"(...) Também continua sem explicar por que razão continua a integrar o seu currículo uma "pós-graduação em Engenharia Sanitária", quando o que frequentou foi um pequeno curso para engenheiros municipais nesta área, numa altura em que ainda não era licenciado. (...)"