"Rajiv é filho de um casal que emigrou dos famintos planaltos indostânicos para os subúrbios de Nova Deli. Na cidade, o ganha-pão da família dependia das pernas do pai, paquete numa repartição pública, e das mãos da mãe, empregada de limpeza. Um dia, ao voltar da escola, Rajiv viu numa papelaria o livro “Teach yourself English in seven days”. Hesitou, mas confiou no dono, que lhe disse que bastavam 900 palavras para dominar a língua. Afinal, pensou, a um ritmo de aprendizagem de 30 palavras novas por dia, seria daqui a três meses fluente na língua de todos os sonhos. Hoje Rajiv é engenheiro informático na Califórnia, vive num apartamento à beira-mar, e tem três televisões, dois frigoríficos, um carro e uma mota. (...)"
Wednesday, April 25, 2007
Confiança indiana
Tuesday, April 24, 2007
O outro lado do 25 de Abril
"Mal terminada a festa, quando parecia conquistada a esperança, logo uma escumalha ressabiada e intolerante ocupou a praça, a estragar tudo. A turba em tons vermelhos e de punho erguido bradou à morte e incitou à guerra. A que chamavam luta. Iniciando então um impiedoso assalto ao poder que todos os dias nos roubava mais a liberdade. Então, a revolução de 74 abalroou a minha vida, assaltou a casa dos meus pais. Para nos tornar em novos proscritos. Só por causa de um velho apelido, e por tanto ódio.Na época, eu era um imberbe e juvenil estudante, que por imitação do meu pai me tornara precocemente politizado e discursivamente assertivo. E foram muitas as angústias e apreensões vividas em família naqueles inesquecíveis tempos “revolucionários”.Os sentimentos por mim experimentados na sequencia da revolução de Abril, as memórias que guardo daqueles protagonistas, as lembranças dos seus esgares e trejeitos fanáticos, das suas arbitrariedades e da minha total impotência, causam-me ainda hoje amargos sentimentos.Reconheço na democracia conquistada à posteriori, o melhor sistema político possível. Como cristão e democrata, bater-me-ei sempre com todas as minhas forças pela liberdade e pela justiça. Hoje como então.Por mim, agradeço a liberdade pela qual afinal também lutei. Mas não me convidem para esta festa da qual fui excluído faz amanhã 33 anos."
Voos da CIA
José Socrates, le Tony Blair portugais IV
José Socrates, le Tony Blair portugais III
"(...) Dans son bureau de la fondation qui porte son nom, à côté du Parlement, Mario Soares, le patriarche du PS portugais, « Socrates est un homme déterminé, pragmatique et courageux. Il décide, il commande et il fait. Son objectif n’est pas d’en finir avec les riches, c’est d’en finir avec les pauvres!» (...)"
José Socrates, le Tony Blair portugais II
"(...) Avec son faux air de Dustin Hoffman sous des cheveux poivre et sel coupés court, ses costumes Armani ou Hugo Boss qui agacent l’aile gauche de son parti, ce socialiste iconoclaste n’a jamais promis la lune à personne. Depuis deux ans qu’il gouverne, il n’a qu’une obsession : remettre le Portugal à flot, quitte à pratiquer un socialisme à rebrousse-poil. « Comparées à ce que Socrates fait ici, les cent mesures de Ségolène, c’est le paradis pour tout le monde ! » résume Teresa de Sousa, éditorialiste à Publico . (...)"
In Le Point.
José Sócrates, le Tony Blair portugais I
«Heureusement que les socialistes français ne sont pas comme lui, sinon j’aurais du mal à me positionner!»
Nicolas Sarkozy, in Le Point.
Muros
"'One fit all'. É esta a lógica dos americanos. Onde há problemas sociais e políticos, toca a erguer muros. Porque se não está à vista não incomoda.
Depois do muro a separar Israel de alguns dos territórios palestinianos, veio o muro na fronteira entre os EUA e o México. Agora, o novo embaixador dos EUA no Iraque quer muros em Bagdad. No fundo, revela um pensamento de criança de 2 anos: se não se vê é porque "não há". Mas nada apaga a manifestação dos iraquianos contra a ocupação do Iraque. Os iraquianos não os querem lá e não há muro que mude isso.
Erguem muros pelo mundo fora, mas não conseguem derrubar os que têm nas suas cabeças. às vezes a destruição também é construção."
N'O Bitoque.
UnIgate
O blogue Do Portugal Profundo continua a sua investigação sobre o caso UnIgate: As equivalências de Sócrates. Neste post, António Balbino Caldeira não só analisa as várias pecularidades do processo, como ainda transcreve um artigo bastante esclarecedor, do Público de 22-4-2007:
"(...) Também continua sem explicar por que razão continua a integrar o seu currículo uma "pós-graduação em Engenharia Sanitária", quando o que frequentou foi um pequeno curso para engenheiros municipais nesta área, numa altura em que ainda não era licenciado. (...)"
Monday, April 23, 2007
Realmente, já estava calado há muito tempo...
Para Alberto João Jardim, os problemas académicos de Sócrates são "castigo divino".
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Sunday, April 22, 2007
escrito na areia pela vieira do mar
"Gosto muito da sujidade limpa do campo; de mergulhar as mãos nuas na terra, de deparar com minhocas gordas e de as dar a comer aos sapos e aos peixes do lago. Eu, de cidade há gerações várias, não tenho nojo de minhocas gordas, nem de rãs, nem de cobras. A semana passada apanhámos uma cobra de água; passeou-se pelo meu braço como modelo numa passerelle e, depois, foi à sua vida. Um casal de corujas brancas nidifica todos os anos na chaminé da cozinha e, enquanto faço a sopa ou aqueço o leite, ouço os cicios das crias, assustadas com o barulho das panelas. Nas traseiras da casa existem restos de ratos mortos, de passarinhos recém-nascidos e pernas de coelho meio comidas. Quando não são as corujas, são os gatos; quando não os gatos, os cães. Embora os gatos durmam enroscados nos cães e sonhem os sonhos deles. Mergulho as mãos na terra e tenho sempre a sensação de que algo de muito primordial, de muito primevo, me rodeia as veias, os nervos, como se escutasse os rumores do princípio do mundo. Porque eu sou muito ervas daninhas e orégãos por entre as raízes das oliveiras; sou muito à solta, muito dente-de-leão, fruta trincada na árvore, maçã bichada. Sou pouco, ou quase nada, raíz envasada. Aqui, ninguém tem medo das abelhas que voam à nossa volta: todos sabem que andam ao pólen, é só o que lhes interessa. A relva, na verdade, há muito que morreu: agora é só grama e ervas altas, mas não faz mal: cortado, tudo, com aquela máquina em promoção no AKI, e nem se nota a diferença, parece um campo de futebol. Quando rego, faço-o descalça e metade da água vai para os meus pés, reparam as plantas, invejosas. Aqui, andamos todos descalços, à chuva, sujos e a cheirar a cavalo, embora não tenhamos cavalos. Dos meus filhos, cada um com o seu cheiro próprio. O mais velho cheira a cão, mas isso não é mistério nenhum, pois é num deles que se esfrega o dia todo; se pudessem, dormiam juntos, debaixo dos mesmos lençóis, e contavam-se segredos de namoradas pela noite dentro. O mais pequeno cheira sempre a lareira. Mesmo quando é Primavera, como agora, e a lareira já só fumega lembranças do Natal passado; o cabelo dele é de um fogo esmaecido que lembra pinhas ardidas e resina derretida. Que bem que lhes faz!, apanharem minhocas, enrolarem-se-lhes cobras de água nos tornozelos e agarrarem em gafanhotos verdes para, com eles, pregarem sustos de morte à mãe (pois que tem limites, esta enorme fatia campestre de mim). Tanto que precisam, de andar descalços e ganhar casco, de ajudar a colher o feijão e de comer da boca do cão. Eu cá não deixo (nem pensar!), não, nada de andar à chuva que se constipam, nem de beber da água do poço, muito cuidado com a cobra, que nunca se sabe e nada de comer onde, antes, mordeu o cão e lambeu o gato, porque os micróbios isto e assado. Mas, no fundo, o que faço é olhar para o lado e esperar que lhes bastem as vacinas, que ganhem defesas como soldados experientes e que cresçam fortes e com a natureza dentro deles. Esperar, portanto, que esta sujidade limpa lhes enxagúe os corpos e as almas e lhes dê alento para o regresso à cidade que os espreita, gulosa."
Por vieira do mar, no Controversa Maresia.
Tony Carreira - Filho E Pai
Eu sempre andei
Longe daqui
Mas não mudei
Nem te esqueci
Cresci sem ti
Sem meu herói
Mas nem assim
O amor se foi
Refrão:
Estive longe e ausente sem querer
Nos caminhos de cada canção
Mas eu nunca deixei de te ter
No horizonte do meu coração
Fiz-me homem ás vezes na dor
E rovolta por não te ter mais
Mas eu nunca esqueci este amor
De Filho e Pai
É bom saber
Chegas-te aqui
Sem me esquecer
Quase sem mim
É bom ouvir
Da tua voz
Mesmo sem ti
Não estive só
Refrão:
Se andei longe e ausente sem querer
Se o adeus foi maior que o ficar
Foi p'ra dar-te o que eu não pude ter
Sabes bem, não foi por não te amar
Se eu chorei revoltado sem ti
Hoje entendo e até digo mais
Tenho orgulho por sermos assim
Filho e Pai
A distância só nos fez crescer
E ficar mais amigos no fim
Aceitar e também entender
Muitas vezes a vida é assim
Nesse tempo que por nós passou
Aprendemos até muito mais
Nada pode mudar o amor
De Filho e Pai
Thursday, April 19, 2007
Crueldade
Continuando este assunto,
"(...) hoje, no quiosque da Praça dos Restauradores, mesmo junto ao elevador da Glória, deparei-me com uma tremenda crueldade."
N'O Cachimbo de Magritte.
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Bombástico
"(...) A partir de agora valem todos os raciocínios: A Universidade fecha por causa das revelações sobre o percurso académico do primeiro-ministro; a Universidade não fecha porque abafou o que se passou com a licenciatura do primeiro-ministro; e a Universidade fecha e abre com outro nome porque a polémica já não interessa nada."
No Mais Actual.
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