Na última noite, «apenas» 162 veículos foram incendiados em França, confirmando o regresso à calma que tem vindo a dar sinais nos últimos dias. O Presidente Chirac fala numa «crise de identidade» no país.
Fonte: Visão Online, 15 de Novembro de 2005.
Onde o mistério se passa...
Na última noite, «apenas» 162 veículos foram incendiados em França, confirmando o regresso à calma que tem vindo a dar sinais nos últimos dias. O Presidente Chirac fala numa «crise de identidade» no país.
Fonte: Visão Online, 15 de Novembro de 2005.
I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.
Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play?"
Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.
Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.
Now he's gone, I don't know why
And till this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie.
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down...
Nancy Sinatra
Kill Bill BSO
O estado de emergência em França entrou em vigor esta quarta-feira com a publicação do diploma no Jornal Oficial, que refere 25 departamentos, entre os quais Paris, onde poderá ser aplicado. O decreto dá aos prefeitos (equivalente ao governador civil) o poder de decidirem medidas de restrição da circulação de pessoas e/ou veículos, nos locais e perímetros determinados, em horários fixados. Além disso, podem criar zonas de protecção ou de segurança nas quais será regulamentada a presença de pessoas e proibir o acesso total ou parcial nos departamentos a qualquer pessoa que possa perturbar acção dos poderes públicos.
Fonte: Visão Online, 9 de Novembro 2005.
O recolher obrigatório entrou em vigor quarta-feira à noite em várias grandes cidades francesas, o que, segundo as autoridades, poderá explicar a diminuição do número de incidentes.
Em cerca de 30 localidades foi imposto o recolher obrigatório, proibindo a circulação de menores não acompanhados a partir das 22h00, sendo possível às autoridades decidir a realização de buscas domiciliárias nocturnas.
Ao início da noite de quarta-feira o recolher obrigatório tinha sido imposto em várias regiões francesas, como a Cote d'Azur, especialmente na cidade de Nice, a Normandia, nomeadamente em Rouen, o Havre, a Picardia e o Eure.
Fonte: Visão Online, 10 de Novembro de 2005.
Partida de Istanbul às 9h30 da manhã. Sete pessoas ao todo: me, Nora (a minha conterrânea), Zocha (a polaca), Ludwig, Dennis e Max (os alemães). Viagem de 2h de ferry, mais 1h de autocarro até Bursa. Passeio pela cidade, descoberta de um dos primeiros pratos tradicinais turcos comestíveis (o belo do iskender), serão em casa de uma família turca, caminhada nocturna interminável em busca de um bar aberto na altura do Ramadão, desistência frustrada, noite num quarto que não perdia nada em ser um pouco melhor.30 - 10 -2005
Novo passeio pela cidade de manhã, partida para Izmir depois de almoço.
31 - 10 - 2005Seis horas dentro de um autocarro a caminho de Izmir, chegada, felız descoberta de que iríamos passar uma semana em quartos que quase poderiam ser de um hotel 5 estrelas, passeio pela cidade, nova tentativa de se encontrar um bar aberto à noite, nova desistência, regresso aos quartos.
Descoberta de que a estadia incluía um pequeno almoço daqueles com que há já algumas semanas andávamos a sonhar (com a excepção do cafezito, mas isso já é pedir muito num país como a Turquia), viagem de autocarro para Çeçme.
01 - 10 - 2005Chegada a Çeçme, passeio à beira-mar, descoberta de um restaurante com refeições de peixe baratas (e muuuuuuuuuito boas), quase 3h à mesa, regresso à praia, passeio pela cidade, regresso a Izmir.
À falta de bares abertos, pequena festa improvisada no quarto.
Início do dia em grande com o belo do pequeno almoço, passeio por Izmir: de manhã o bazar e o mercado, à tarde a zona histórica. Regresso aos quarto para descansar. Nova tentativa de saída à noite, mas, desta vez, finalmente, mais bem sucedida.
02 - 10 - 2005 Chegada do nosso companheiro turco: o Noyan. Início do dia em grande com o belo do pequeno almoço, viagem de autocarro para Ephesus, caminhada em busca da Seven Sleepers' Cage e da Virgin Mary's House.
Depois de eternidades a andar pelo meio de montes e vales desertos, acabámos por ter de nos contentar só com a primeira ou não teríamos tempo de visitar as ruínas da antiga cidade.
Para lá chegarmos, mais uma caminhada prolongada. Começamos a apercebermo-nos de que Ephesus merecia muito mais do que um dia de estadia, ou que , pelo menos, deveríamos ter pensado num transporte mais adequado para tão grandes distâncias. Chegamos finalmente às ruínas e deparamo-nos novamente com algo inesperado: as ruínas são mesmo de uma cidade, o que significa uma larga àrea para explorar e, uma vez mais, muito para andar.
03 - 11 - 2005Quando chegamos ao fım já é quase noite e já não há autocarros nem taxis para a cidade. Dirigimo-nos para a estrada principal com a esperança de encontrarmos alguma alma caridosa que nos desse boleia. Felizmente que desta vez tivemos sorte e, passada apenas uma longa meia hora, uma carrinha tipo vanette, com uns bons anitos em cima, e carregada de caixotes e de trapos, pára à nossa frente. Dez minutos de aconchego (éramos 7 num único banco) e de suspensão de respiração (tudo o que é turco tem um cheiro bastante intenso) e estamos novamente no terminal dos autocarros. Voltamos para Izmir. Mais alguns problemas com os autocarros (em Izmir é muito complicado fazê-los parar, nunca se sabe onde é que são as paragens nem para onde vão), mas acabamos por chegar a casa.
Início do dia em grande com o belo do pequeno almoço, viagem de autocarro para Foça.
Breve passeio à beira-mar, metemos conversa com o dono de um restaurante que nos apresenta o dono de um barco que nos leva a dar uma volta por um preço bastante reduzido. Duas horas no mar em busca das famosas focas que deram o nome à cidade, passado algum tempo apercebemo-nos de que actualmente já só existem cinco e que só é possível vê-las no Verão. Felizmente, nem tudo corre mal e somos presenteados com um pôr do sol simplesmente lindo.

04 - 10 - 2005Chegamos a terra, passeamos mais um pouco, descobrimos que, mesmo estanto frio e sendo noite, a água tem uma temperatura bastante agradável. Voltamos ao restaurante do senhor simpático (como a maioria dos turcos que tivemos oportunidade de conhecer) e acabamos o dia em Foça com um belo peixe grelhado no prato. Voltamos para Izmir.
Início do dia em grande com o belo do pequeno almoço, ficamos por Izmir uma vez mais, passeamos, vamos ao Etnography Museum, descobrimos a tradição do "camels' wrestling", subimos até à fortaleza da cidade, desfrutamos de uma vista magnífica, embora no meio de uma das zonas mais desfavorecidas, voltamos para casa descansar um pouco, saímos, aproveitamos ao máximo a nossa última noite.
05 - 11 - 2005 Dez intermináveis horas dentro de um autocarro de volta para Istanbul.
Uma em cada três mulheres será, durante a sua vida, espancada, coagida a manter relações sexuais ou maltratada, em geral por um membro da família ou um conhecido. No Egipto, 94% das mulheres conseguem encontrar pelo menos uma justificação para o marido lhes bater. Catorze milhões de adolescentes, com idades entre os 15 e os 19 anos, dão à luz todos os anos. Um número que corresponde a quase uma vez e meia a população portuguesa. Não se conhece a dimensão do problema das que têm filhos ainda mais jovens. As raparigas que pertencem a grupos mais pobres têm três vezes mais hipóteses de ser mães adolescentes do que as de estratos económicos superiores. E as adolescentes têm o dobro da probabilidade de morrer de parto.
São verdadeiras imagens de terror. Inimagináveis por serem desumanas, inacreditáveis pela sua irracionalidade. Estão no relatório sobre Igualdade das Nações Unidas.
O outro lado do espelho deste mundo está na educação. O número de mulheres analfabetas é o dobro do registado entre os homens. E nas regiões mais pobres há mais raparigas que não frequentam a escola do que rapazes.
É conhecimento adquirido pela prática que a educação das mulheres tem um efeito multiplicador de desenvolvimento muito significativo. São as mulheres que acompanham em geral os filhos. Se tiverem ido à escola, sabem valorizar a sua importância orientando os filhos para a escolarização e conhecem os cuidados de saúde e alimentação que devem ter com as crianças. Em linguagem económica, contribuem para a subida do capital humano, aumentando o potencial de crescimento da economia.
Educação e mais educação, a par de iniciativas como as dos microcréditos, são as soluções conhecidas. O Nobel Amartya Sen é uma referência neste assunto.
A razão por que o mundo permite que se continue a assistir à degradação das condições de vida dos países pobres, com as mulheres em posição ainda mais grave, é inadmissível. Todos sabem que há políticas eficazes de combate à pobreza e os seus custos seriam muitíssimo inferiores aos proveitos do desenvolvimento. A diferença é que alguns perderiam as rendas que exploram com a pobreza das mulheres e da população em geral. É por esses que vamos lendo o que acontece no mundo. E vemos o horror que se vai passando em Ceuta.
Editorial
Há políticas eficazes de combate à pobreza e os seus custos seriam muitíssimo inferiores aos proveitos do desenvolvimento. A diferença é que alguns perderiam as rendas que exploram com a pobreza.
Por: Helena Garrido.
Fonte: Diário de Notícias.
