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Afinal sempre é verdade...
Onde o mistério se passa...
Sinceramente ando com curiosidade de "experimentar" esta religião. Só oiço coisas boas, e como tenho lá um membro da familia, acho que me vou deixar influênciar por ela. Pode ser que seja uma coisa que valha apena. Não sei... Vou deixar o meu futuro aproximar-se mais um pouco, e aí então talvez venha a fazer algo mais forte para me informar.
Olhou o corpo conhecido encostado à bancada da cozinha preparando o jantar.
Entre as pernas o desejo de corpos que não teria.
- Chegaste cedo. Disse ela sem se virar.
Ele não respondeu. Não lhe queria a voz.
Ele encostou-se ao corpo bancada.
Levantou-lhe a saia. Abriu o fecho das calças. Soltou a fome que trazia.
- Agora não. Disse ela pensando nos bifes quase prontos.
Ficou quieta esperando enquanto ele comia.
Ele penetrou o sexo da mulher que desejara na rua.
Fechou os olhos e apertou o peito da vizinha do 5º andar.
Ela estendeu a mão e baixou o lume para não queimar a carne.
Ele despejou o fogo e aliviou a carne nas carnes dela.
Ele levantou as calças sentou-se e esperou o jantar.
Ela baixou a saia e apagou o fogão.
Serviu-lhe a carne em sangue como ele gostava.
Ele comeu sozinho como sempre fazia.
Ela levantou a mesa. Limpou o corpo e a bancada.
Sentaram-se juntos no sofá vendo a vida na televisão.
Por: Encandescente.
«Antes de ele começar a falar, já ela o olhava; por vezes, respondia-lhe sem ele nada ter perguntado, adivinhava-lhe os medos e as vontades mesmo antes de estes se formarem na parte ainda consciente do cérebro dele (na que conseguira fugir com o rabo à seringa da doença que o mastigava e engolia, aos bocadinhos, aos quadradinhos de açucar e às colherzinhas de café).
Gozavam-se por aquele corpo dele, um dia erecto como o de um oficial prussiano, agora balançar e vergar, como as hastes de um salgueiro, ao sabor da ventania das sinapses interrompidas pelos seus neurónios moribundos. Gozavam-se por ele, às vezes, a chamar pelo nome de antigas namoradas (o que fazia convicto e sem qualquer sombra de dúvida) e de ela lhe fazer notar o engano, acordando-lhe o sexo com mordidelas delambidas, pensa lá melhor, alguma delas te fazia isto?, e ele, claro que não, e riam-se e depois enrolavam-se os dois, embalados nas tremuras dele (que não eram nada perto das dela, lunares e meteóricas, quando se vinha).
A doença, coisa que eles pensavam de velhos que se babam e apodrecem nos lares, apanhara-os a meio da vida, ali mesmo, no âmago, no centro da alegria dos planos por concretizar e dos projectos por cumprir. A umas trocas e baldrocas com os nomes e as memórias, seguiram-se umas suspeitas vagas, a gestão complicada do medo, muitos exames, a negação e, por fim, um diagnóstico filho da puta e mau como as cobras.
Desde o início, afrontaram a besta da única forma que sabiam como (a mesma com que sempre haviam levado a vida): a gozar indecentemente com tudo e todos, principalmente com eles mesmos e com a sua inusitada desgraça. Balançavam-se entre os ataques de riso e de choro e acabavam abraçados, a lamber-se as lágrimas, a saliva e o ranho, e amaldiçoando o dia em que se haviam descoberto (ou antes, redescoberto).
Ela estava tão ou mais doente do que ele, claro; sabia-se, aliás, mortalmente ferida: ele tremia por fora, ela por dentro; quanto mais ele se enganava, mais ela se desenganava, na certezinha de que um dia morreriam juntos e de que expirariam no mesmo exacto segundo (era o seu suporte de vida, a sua respiração assistida, essa certeza).
Construíram um novo mundo e envolveram-no n´a doença, como uma espécie de módulo espacial. Passaram a viajar dentro de casa: sentavam-se no tapete de kairouan, pegavam no mapa mundi, escolhiam criteriosamente um destino e passavam dias a imaginar as paragens no caminho, as pernoitas, os incidentes de percurso, as pessoas, os cheiros, as comidas, a temperatura, a cor do céu e o temperamento dos nativos. Enfeitavam-se com caftans marroquinos, mantas de lã peruanas e sombreros mexicanos, comprados em feiras de artesanato ao pé da porta, e fumavam puros, enquanto ela cozinhava chilaquiles e moqueca, ao som de colectâneas putumayo de world music.
Abalançaram-se, portanto, a uma vida de brincar no confino das quatro paredes da casa onde viviam (ele tinha medo de sair, de cair, de ofender, enfim, de falhar). Às vezes, divertiam-se a valer e acabavam no chão da sala ou na cama, rebolados de riso, no final inglório de fodas humorísticas (de tão mal sucedidas), após festins com dildos e outros brinquedos de geometria rara (daqueles que colmatavam os espaços vazios que eram a memória e a tesão dele, e que preenchiam, com eficácia variada, um outro tipo de espaços vazios, os dela).
Nunca esconderam a doença dos outros e tinham, vezes sem conta, a casa cheia de amigos, em noitadas de copo na mão, a contarem-se anedotas sobre velhos, parkinsons, alzheimers, cancros e decrepitude em geral, num exorcismo colectivo do medo.
Ao fim de alguns anos e de várias voltas ao mundo, percorrido o cancioneiro popular mundial e envergados os trajes típicos das nações unidas e das ainda por unir, a coisa começou a complicar-se. E a destruição progressiva do cérebro, a perda do gosto, do tacto, do prazer, do riso e - pior - a perda da capacidade de imaginar tudo isso, foram-lhes carcomendo as resistências, inicialmente acolchoadas com ironia e almofadadas com amorosa inteligência.
E, de repente, num dia como outro qualquer, ela olhou-o e soube que já não era ele que ali estava, mas apenas um invólucro, uma pele seca de bicho, que se descascara, caíra e ficara para trás, misturada com as folhas e a terra, desfazendo-se em húmus. E percebeu que chegara o momento de o deixar ir, pois só assim poderia continuar a seguir-lhe o trilho.
Pegou ao colo no que sobrara dele e pouso-o sem pressas na água morna da banheira. Viu-o adormecer. Medicou-se excessivamente e deitou-se ao lado dele; os dois, ali, abraçados, por fim num sono sem sonhos nem tremuras.
Reencontraram-se do lado de lá, dizem que ao som de violinos, e que ele terá desatado a correr via láctea abaixo, num passo firme e coordenado (daqueles de atleta), a abraçá-la com tamanha força que ela terá sentido estalarem-se-lhe as vértebras, sob o fulgor feliz daquele amplexo musculado. Parece que se sentaram algures por ali, à conversa, onde aguardaram a passagem da vida seguinte, para dentro da qual saltaram, de um pulo e de mãos dadas, mal esta lhes abriu as portas da frente.»
Por: vieira do mar.
«Everyone is so overwhelmed by the hospitality. And so many of the people in the arena here, you know, were underprivileged anyway, so this, this is working very well for them.»
Por Barbara Bush, mãe de George W. Bush, ao visitar New Orleans.
Ver mais aqui.
«A SIC é a estação com mais câmaras e nos melhores lugares para a transmissão em directo.»
«Dois edifícios da Torralta vão ser hoje demolidos por implosão»
Até a SIC Notícias vai fazer um especial com a transmissão em directo.
Já reservaram os lugares?
«Os céus de Lisboa enchem-se, hoje à noite, de fogo de-artifício, com a exibição do primeiro concorrente do Mundial de Pirotecnia 2005, concurso que se prolonga pelo mês de Setembro, com concorrentes todos os sábados. »
Eu vou! E vocês?
«O representante português da empresa espanhola de capital de risco LP-Brothers Venture Capital, Pedro Xavier Pereira, anunciou ao DN, ao início da tarde de ontem, que a Igreja Maná é o seu parceiro-mistério para entrar no grupo Media Capital.
"Estamos com a Igreja Maná na operação, com a ideia de deter uma posição estratégica no grupo Media Capital", disse ao nosso jornal o partner da LP-Brothers.
Horas mais tarde, o responsável e fundador da Igreja Maná, o apóstolo Jorge Tadeu, confirmou à agência Lusa que está, em parceria com a LP-Brothers Venture Capital, a estudar a forma de adquirir uma participação no grupo que detém a TVI.
Para tal, acrescentou o mesmo responsável, "a aquisição pela Igreja da participação na Media Capital será feita através do grupo de media Maná Sat", unidade de media da Igreja (ver caixa ao lado). (...)»
Fonte: Diário de Notícias, 1 de Setembro de 2005.
«Um cerimónia religiosa xiita em Bagdad resultou ontem numa tragédia - o dia mais sangrento desde a queda de Saddam Hussein em 2003 - quando o medo de um atentado suicida gerou o pânico entre os peregrinos que afuíam a uma mesquita. Responsáveis governamentais calculam o número de mortos (espezinhados, sufocados ou afogados) em mais de 700, admitindo alguns que possa chegar aos mil. Entre 300 a 400 ficaram feridos.»
Fonte: Público, 1 de Setembro de 2005