Monday, June 20, 2005

De olhos bem abertos... IV

«Evitar que políticos legislem sózinhos sobre os próprios vencimentos e subvenções é um caminho apontado pelos estudiosos»

«Uma da conclusão que se pode retirar do que foi dito pode ser resumido numa frase de um destes: "Ninguém deve legislar em causa própria".»

«Esse é um grande tema na América Latina, porque as imunidades são definidas de forma muito ampla, isentando o paramentar de responsabilidade civil e criminal, pelo menos enquanto o mandato dura.»

«Speck adianta ainda que este procedimento não precisa de ser limitados aos políticos, podendo alargar-se a todos os cargos na administração pública.»

"Subvenções e salários parlamentares: "Ninguém deve legislar em causa própria"
Público, 20 de Junho de 2005

De olhos bem abertos... III

«Nas eleições que decorrerem no sábado e quando faltavam apurar cerca de 25 concelhos dos Açores e do interior, votaram um total de 4617 militantes, tendo sido contados 270 votos em branco e 29 nulos.»

"Ribeiro e Castro eleito directamente por 4318 votos»
Público, 20 de Junho de 2005

by Júlia Pinheiro

«É que elas não sabem onde é que eu tenho o microfone. Se elas metessem a mão mais para cima, sabe-se lá para onde é que ele entrava.»

Sunday, June 19, 2005

Assustador

«Bandeiras de Portugal e do Partido Nacional Renovador (PNR), símbolos da Frente Nacional, cabeças rapadas e cartazes apelando ao repatriamento dos imigrantes e ao orgulho nacionalista, saudações nazis e o hino nacional, várias vezes repetidos, marcaram a manifestação de extrema-direita que ontem à tarde se realizou entre a Praça do Martim Moniz e o Rossio.
Com cerca de 300 pessoas, segundo a polícia, e quase mil nas contas do PNR, esta foi, em qualquer dos casos, a maior concentração pública de sempre deste tipo no País. Já na Praça do Rossio, esteve a um passo de degenerar no confronto físico, quando populares gritaram palavras de ordem como "fascistas" e "25 de Abril sempre". A tensão começava a subir, com gritos desencontrados de ambos os lados, e só a actuação do Corpo de Intervenção da PSP e polícias com cães o impediram. Distúrbios houve apenas poucos minutos depois, já na Rua do Carmo. O Corpo de Intervenção actuou para proteger dois indivíduos perseguidos por alguns manifestantes e acabou por agredir um repórter fotográfico, quando dispersava as pessoas que tinham acorrido ao local.
»

Ricardo Araújo no seu melhor

Clicar na imagem para ler.

«Mas, esgotados todos os documentários e comentários sobre Cunhal, lá voltarão as chamas aos ecrãs, e os incendiários às florestas. É Cintra Torres quem o diz: «Sabe-se que há incendiários que ateiam incêndios para os ver na televisão». Ou será que são jornalistas que ateiam as notícias para as pôr na televisão?»

Pedro D'Anunciação
Expresso, 18 de Junho de 2005

Friday, June 17, 2005

«So Doku»

Versão digital.

Mundo paralelo

Recentemente, o Público tem-nos brindado uma coluna diária, na secção "Sociedade", que é quase surreal (para não dizer completamente). Nesta coluna maravilha, a "Joana" e a "Francisca", oferecem-nos os seus testemunhos do que é ser-se finalista no secundário com exames à porta. E, assim, como os colaboradores deste blog, e a maioria dos seus visitantes, já se deram conta há uns tempitos, o leitor fica a saber que esta é uma fase em que qualquer estudante que se preze saboreia, com prazer, toda a matéria dada durante o ano lectivo, calmamente, aproveitando cada momento. Este é um tempo de reflexão, sem grandes stresses, em que se olha para a realidade de uma maneira diferente, em que se encontra arte em qualquer pequeno pormenor. E tem-se imenso tempo para passear... para relaxar... Afinal, ir para uma biblioteca estudar e ficar lá durante 1 hora (inteirinha, vejam lá!) é completamente esgotante!
Mas que raio de ideia foi esta?? A impressão com que se fica é que qualquer aluno, antes dos exames nacionais, se transforma em filósofo. E claro: ama apaixonadamente a matéria toda que tem para estudar.
Agora interrogo-me: será que a escolha destas duas alunas foi propositada? Ou será que o acaso fez das suas? É que é obra: logo duas de uma vez! Onde é que estão os alunos que vivem esta fase como se a sua vida dependesse dos resultados finais? Onde é que estão os que caem na desmotivação? Onde é que estão os que lutam com a matéria para a conseguirem entender? Onde é que estão os que têm dúvidas, os que desesperam, os que desistem, os que não querem saber, os que não gostam da matéria, os que não sabem estudar, os que deixam para a última, os que se fecham na biblioteca, em casa, na escola... Onde é que estão?

Thursday, June 16, 2005

Political compass

Uma outra verssão da «Bússula Política».

Tenho mesmo, mesmo, mesmo de ir ver este filme... *

-- > Trailer < --

* Tradução: alguém que me convide para ir ver este filme sff...

«PAUSA»

«Durante o coffee break, Durão Barroso fala animadamente com um burocrata de Bruxelas:

— E sabe que mais? O défice que eu deixei lá em Portugal, quando me vim embora, era assim deste tamanho.
— Desse tamanho?
— Deste tamanho. Devia ser 3%, não o ignoro, mas veio por ali acima e olhe, no momento em que aqui cheguei, já devia andar pelos 6%. O Santana Lopes, aquele tipo do meu partido que ficou para apanhar os cacos, está a ver, é que se lixou. Por um lado, preferiu esconder a dimensão do monstro e fingir que estava tudo bem, tão bem que até chegou a anunciar o fim da austeridade e uma folga no cinto apertado dos portugueses, como se isso fosse possível (risinhos). Por outro, meteu-se em tantas trapalhadas que acabou por ir ao fundo nas eleições de Fevereiro. Uma coisa chata, mas enfim, o que é que se há-de fazer? Em democracia é assim mesmo.
— E agora? — perguntava o burocrata de Bruxelas.
— E agora? Olhe, agora o Sócrates que resolva o assunto e que se lixe, ele também, com as suas próprias asneiras, mais o ódio que as classes afectadas pelas medidas de contenção lhe vão dirigir. Isto toca a todos, meu amigo, isto toca a todos. Em democracia é assim mesmo. Quer dizer, toca a todos menos aos que têm a esperteza de fugir a tempo, n'est-ce pas? (Gardalhadas estridentes; Durão ri-se até às lágrimas e depois limpa-as com um lenço de seda.) Ai, ai. Vamos lá fazer uma pausa.
— Uma pausa? Mas se estamos a voltar do coffee break, Monsieur Barrôso! Nom de Dieu, não admira que o vosso país esteja como está...
— Calma, não é nada disso, caro funcionário burocrata de Bruxelas. Percebeu mal. Referia-me à pausa no processo de ratificação do Tratado Constitucional que vou pedir na conferência de imprensa, daqui a pouco.
— Ah, OK, OK. Assim está bem, senhor Presidente da Comissão. Já me estava a assustar.
»

De olhos bem abertos... II

«Já a cancelámos, porque, apesar de ter recebido ontem [anteontem] um papel a dizer [à organização] que não é a três dias que se autoriza um evento destes", explica.»

"Possível manisfestção skin no mesmo local solicitado para festa anti-racista"
Público
, 16 de Junho de 2005

De olhos bem abertos... I

Nestes últimos tempos, tenho-me apercebido de que a escrita jornalística está cada vez com mais falhas, mesmo em jornais ditos "de referência" (ou então só agora é que abri os olhos). Por essa mesma razão, achei que seria interessante inciar neste blog uma série de posts com algumas referências a gralhas com que nos deparamos no dia-a-dia (jornais, TV, rádio). Espero que não fiquem com a ideia de que me considero superior aos outros no que diz respeito a este assunto (nem de perto), mas penso que isto nos proporcionará alguns momentos interessantes (para não dizer divertidos). Para além disso, é sempre uma boa forma de aprendizagem.
Para começar, aqui ficam dois breves excertos de uma notícia, que, há uns dias, me deixou algo intrigada:
«A vítima do processo Casa Pia que ontem depôs em tribunal, na 58ª sessão do julgamento, apontou a Carlos Silvino, o principal arguido deste caso, um único crime - de violação gravada -, quando o despacho de pronúncia o indica como alvo de dois crimes, sendo o outro, não confirmado pelo menor, de violação na forma tentada.»
«Segundo o despacho de pronúncia, a violação deste jovem e de um outro - que prestou declarações na segunda-feira, ligeiramente débil mental e com 12 anos, quando foi vítima desses abusos - ocorreu numa colónia de férias em Albufeira, no Algarve, no Verão de 2000, num balneáreo junto ao campo onde jogavam futebol.»
Gostaria que me alertassem para qualquer confusão que possa estar a fazer (i'm not perfect) e que passassem, igualmente, a tomar nota destas pequenas coisas, para que possamos dialogar sobre elas. Este blog está sempre receptivo a colaborações.


Nota: excertos retirados da notícia "Uma das mais jovens vítimas de Silvino declara a sua raiva",
Público, 9 de Junho de 2005.