Thursday, June 16, 2005

De olhos bem abertos... II

«Já a cancelámos, porque, apesar de ter recebido ontem [anteontem] um papel a dizer [à organização] que não é a três dias que se autoriza um evento destes", explica.»

"Possível manisfestção skin no mesmo local solicitado para festa anti-racista"
Público
, 16 de Junho de 2005

De olhos bem abertos... I

Nestes últimos tempos, tenho-me apercebido de que a escrita jornalística está cada vez com mais falhas, mesmo em jornais ditos "de referência" (ou então só agora é que abri os olhos). Por essa mesma razão, achei que seria interessante inciar neste blog uma série de posts com algumas referências a gralhas com que nos deparamos no dia-a-dia (jornais, TV, rádio). Espero que não fiquem com a ideia de que me considero superior aos outros no que diz respeito a este assunto (nem de perto), mas penso que isto nos proporcionará alguns momentos interessantes (para não dizer divertidos). Para além disso, é sempre uma boa forma de aprendizagem.
Para começar, aqui ficam dois breves excertos de uma notícia, que, há uns dias, me deixou algo intrigada:
«A vítima do processo Casa Pia que ontem depôs em tribunal, na 58ª sessão do julgamento, apontou a Carlos Silvino, o principal arguido deste caso, um único crime - de violação gravada -, quando o despacho de pronúncia o indica como alvo de dois crimes, sendo o outro, não confirmado pelo menor, de violação na forma tentada.»
«Segundo o despacho de pronúncia, a violação deste jovem e de um outro - que prestou declarações na segunda-feira, ligeiramente débil mental e com 12 anos, quando foi vítima desses abusos - ocorreu numa colónia de férias em Albufeira, no Algarve, no Verão de 2000, num balneáreo junto ao campo onde jogavam futebol.»
Gostaria que me alertassem para qualquer confusão que possa estar a fazer (i'm not perfect) e que passassem, igualmente, a tomar nota destas pequenas coisas, para que possamos dialogar sobre elas. Este blog está sempre receptivo a colaborações.


Nota: excertos retirados da notícia "Uma das mais jovens vítimas de Silvino declara a sua raiva",
Público, 9 de Junho de 2005.

«Morreu o homem do Licor Beirão» *

* Público, 16 de Junho de 2005

Wednesday, June 15, 2005

«A União resulta muito mais de tratados entre Estados do que da vontade de um inexistente povo europeu.»

Manuel Queiró
Público, 15 de Junho de 2005

Estamos em crise mas...

«Cinco meses numa cela é uma experiência "muito longa para viver mas muito curta para contar".»

Citação de Florence Aubenas, a repórter francesa libertada no passado dia 13 em Bagdad, que viveu cinco meses a "80 palavras e 24 passos por dia" numa cave sem luz.

Público, 15 de Junho de 2005

«Declara-se inocente e afirma não se arrepender de nada.»

Sobre um antigo membro do Ku Klux Klan acusado do assassínio de três jovens num dos mais mediáticos crimes racistas do "Verão da liberdade".

Público, 15 de Junho de 2005

«A televisão nacional encontrou a sua especialidade: transmitir funerais.»

«Salários dourados»

«os vermes dos dias iguais»

Mais um que vale realmente a pena ler...

Tuesday, June 14, 2005

Diciordinário ilustrado

«A felicidade é um trajecto, não um destino.»

Enviado por mail.

Monday, June 13, 2005

Sonho noite 12 para 13/06/2005

Mas que raio de noite. Sonhei que estava longe de casa, mas junto aos meus. Aos meus salvo seja, estava na Lousã, numa tarde solarenga. Estavamos eu e a minha prima (colaboradora deset blog) a falar, sobre a vida, sobre nós, e no meu nariz apareceu, subitamente, um cheiro particular. Um cheiro que não sabia de onde vinha, mas que conhecia. Segui o cheiro como um cão segue o dono, andei quilómetros em busca de uma pessoa, de algo, que tivesse aquele cheiro. Encontrei, vi-a e ela viu-me. Abracei-a, num abraço cheio de saudade e quem sabe de algo mais? Depois do abraço, escondi a cara onde escorriam duas lágrimas, uma pela saudade, outra pela revolta. Saudade porque já há imenso tempo que não a via, revolta porque não sabia onde me encontrava (psicológicamente). Sentei-me num pedaço de chão, esperando que te sentasses comigo. Mas a verdade é como o azeite. Apareceu um outro individuo, que ainda não tinha tido o prazer de conhecer. Era o outro. O pior segundo da minha vida aconteceu quando o vi. Seria verdade, aquela mentira que tinha vivido? Fiquei arrasado, mas levantei-me para o cumprimentar, saudei-o como a outra pessoa qualquer. Depois de uns minutos de conversa, foste embora abraçada a ele. Sentei-me novamente, totalmente devastado por uma noticia, inesperada para mim. A terra transformou-se em lama, e começou a escorrer pela serra abaixo. Com isto corri, e quando cheguei a casa enfiei-me na banheira, tomei um longo banho para me limpar de tudo aquilo em que pensado. Depois, saí, e sentei-me à lareira, onde me aninhei aos braços da minha ente querida. Queria um conforto, uma segurança inestimável, e sabia que obtinha isso ali. Após isto acordei...
Confesso que quando acordei, após ver as primeiras noticias do dia na internet, fui para o banho a pensar nisto. Não sei, e preferia que assim não fosse, se isto não será o meu subconsciente a fazer das suas. Será que ainda não morreu? No dia-a-dia não sinto nada, nem penso em coisas menos próprias, mas durante a noite ocorrem coisas como estas. Será que sim? Esperemos que não. No entanto pus aqui o texto não como um sonho, mas como o que aqui está, um texto. É um texto que é sentido, com coisas que julgo serem reais, outras impossíveis e outras que espero serem difíceis de se tornarem realidade. Agora digo que a quero ver, para me confirmar a mim próprio. Mas agora espero por um dia em que me sinta confortável, e pode ser que aí corra atrás dos meus ideais...

Alice in Chains - Alone (acoustic)

It's been a long day at the bottom of the hill,
She died of a broken heart.
She told me i was livin' in the past,
Drinking from a broken glass.

(chorus)
I' alone...
I never wanna be alone,
Now I turn to face the cold.
I' alone...
I never wanna be alone,
Now I turn to travel home.

I walked down to the other end today,
Just to catch those last few rays
But I held up my hand and slowly waved goodby,
I turned my eyes up to the sky.

(chorus)

She'll come back to me.
She'll come back to me.
All alone in this misery.
She'll come back to me.

Oh, I held out my hand out to the light
And I watched it die.
I know that I was part to blame,
I've done my time and, never wanted to spend my life alone

(chorus)

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade