Thursday, March 31, 2005

Uma boa notícia:


Pode não parecer assim tão boa quando se ouve a palavra "cativeiro", no entanto, o lince ibérico é uma espécie em vias de extinção (existem apenas cerca de 150 exemplares na serra Morena e Doñana), por isso, o nascimento de três crias, seja em cativeiro ou não, é sempre uma excelente notícia.

Actualização - 02 de Abril de 2005

Quem diria que sobre o mesmo assunto existiram duas boas notícias em tão pouco tempo?

Wolfowitz a caminho do Banco Mundial

Afinal, foi ainda mais fácil do que se podia esperar, bastou prometer «devotar-se "totalmente" ao combate à pobreza e à luta pelo desenvolvimento». O que não parece muito sincero, sobretudo quando é dito por alguém que faz uma pergunta destas: «Mas por que raio, vocês, portugueses, fizeram tanta pressão sobre Habibie para oferecer o referendo a Timor?».

«Eutanásia e distanásia»

A propósito da grande discussão destes últimos dias, gerada, em grande parte, pelo caso Schiavo, vale a pena ler este artigo.

«Atlântico»

Tenho agora mesmo à minha frente a nova revista, "Atlântico", que saiu hoje com o jornal Público. Fui comprá-lo (ou melhor: pedi para mo comprarem) de propósito, assim que li a notícia. Ainda não tive tempo de a ler, nem vou ter nos próximos dias, mas, após ter dado uma vista de olhos, continuei bastante interessada. À parte a capa (que sinceramente não me atrai) e uns pormenores que não entendi muito bem (como a primeira página e a secção "Correio dos Fiéis Defuntos"), recomendo a darem uma vista de olhos também. Já ouvi dizer (li algures) que é uma cópia barata da "The Alantic", mas presumo que esta comparação se refira, provavelmente, apenas à forma. Tudo isto para dizer que chegou hoje às bancas uma nova revista, «que se pauta pelo inconformismo (combatendo a cultura dominante e o politicamente correcto), pelo confronto contra a mediocridade, a favor do talento e do mérito», o que talvez vos deperte o interesse.

Wednesday, March 30, 2005

Será que este vem trazer-nos algo de novo?

De onde vem toda esta onda de "pudicidade"?

("Pudicidade" no sentido de "pudico", entenda-se.)
Nos EUA aperta-se o controlo da "indecência" sobre as estações de rádio e de televisão, até por cabo ou por satélite, e na Rússia protesta-se contra a estreia de uma ópera "pornográfica" e condena-se o director da exposição "Cuidado com a Religião!" (presumo que o nome seja suficientemente esclarecedor). Em Portugal procura-se que não seja divulgado o problema do tráfico de armas. É impressão minha ou a liberdade de expressão e de informação é cada vez mais um mito? É impressão minha ou os mecanismos de censura são cada vez mais eficazes?

«Avaliação dos Ecossistemas do Milénio»

Presumo que isto já seja do conhecimento geral há bastante tempo (pelo menos, eu não tinha quaisquer dúvidas disso), mas é sempre bom lembrar os factos.
E esta é uma das muitas causas. A exportação de madeira ilegal (proveniente de zonas protegidas, como a Amazónia), é um negócio extremamente rentável e, por isso mesmo, muito aliciante para alguns empresários pouco conscientes. Infelizmente, Portugal está na rota comercial da compra e venda desta madeira, vulgarmente designada de "exótica" ou de "tropical". Para além deste claro incentivo à destruição do nosso planeta, existe ainda um outro, um pouco menos evidente: quando alguém no nosso país decide dar a cara pela defesa de uma causa como o combate ao comércio ilegal de madeira protegida, as autoridades competentes fecham os olhos e colocam-se do lado dos donos das empresas, mesmo quando estes agridem os ambientalistas e os jornalistas (cá está a agressão de que falei ontem).

«Ai os números!»

(Mais um texto inteligente do Sr. Joaquim Fidalgo.)

Poema do Homem Só

Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.

Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem

Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nehum ser nós se transmite.

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.

Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarçe,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.

António Gedeão
Quanto à minha promessa no post El Regresso, fica para amanhã que hoje estou morto.

Tuesday, March 29, 2005

«Embriagai-vos!»

«Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais conta. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que esmaga os vossos ombros e vos faz pender para a terra, deveis embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha, mas embriagai-vos.
E se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais, já dimuída ou desaparecida a embriaguez, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio vos responderão: "São horas de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha."»

Charles Baudelaire

(Este poema em prosa apareceu pela 1a vez no nº do Figaro de 7 Fevereiro 1864 e foi-me enviado pela teorizadora das couves assassinas, a excelentíssima Filipa... =P)

El regresso II

Não é fácil voltar à civilização depois de 4 dias no fim do mundo (portanto, sem acesso a grandes fontes de informação). Assim, a minha re-actualização tem progredido a um ritmo consideravelmente lento (e a internet hoje também não me parece disposta a ajudar) .
Por isso, decidi dar só uma olhadela geral às notícias destes últimos dias e aos blogs do costume e deixar-me de grandes comentários, ficando-me apenas por aquilo que não pode cair no esquecimento (não me parece que grande parte daquilo que poderia dizer seja realmente indispensável). Decidi, também, não me pronunciar sobre as últimas do nosso Governo, nem sobre o sismo na Àsia (e ao excesso de protagonismo dado, uma vez mais, aos turistas, sobretudo aos portugueses, nos nossos meios de comunicação), nem sobre o último aparecimento do Papa, nem sobre o novo Código da Estrada e o dinheiro "arrecadado" pelo Estado, nem sobre a epidemia de febre hemorrágica, nem sobre a agressão a um jornalista da SIC por um dono de uma empresa qualquer (gostaria de ser mais clara sobre isto, mas ouvi por alto na TV e não encontro nada sobre isso por aqui), nem sobre qualquer outra notícia nacional/internacional dos últimos dias (suponho que já tenham sido suficientemente comentadas e, para além disso, o meu tempo não é muito).
Depois das explicações, aqui fica o fundamental:


- O fim da versão on-line do Público gratuita (quem disse que o sistema informativo é cada vez mais democrático?);


El regresso...

Regressamos assim do mundo em que esteve muito frio...
Voltamos com uma barrigada de chocolates e doces, quer dizer, ela volta com uma barrigada de chocolates e doces. Eu limitei-me a vê-los comer. Julgo que aparte a chuva, foram umas férias agradáveis. Agora situo-me aqui em casa da Susana a escrever este post. À noite já volto a por algo mais compostinho, mais agradável à vista.
AMMC

Friday, March 25, 2005

Informa-se que...

...os realizadores deste blog foram de férias para o fim do mundo, por tempo indeterminado. (mas voltamos... =P )

A gerência,

Alexandre Caetano e Susana Nunes

Wednesday, March 23, 2005

Transgénicos

Para os que ainda tinham algumas dúvidas:

Estado mais laico, mas muito pouco laico

«De acordo com a Concordata, essas entidades passarão a estar isentas de tributação de qualquer imposto sobre as prestações dos crentes para o exercício do culto e ritos, os donativos para a realização dos seus fins religiosos, o resultado das colectas públicas com fins religiosos e a distribuição gratuita de publicações como declarações, avisos ou instruções. De igual modo, ficarão isentos de qualquer contribuição ou imposto regional ou local os lugares de culto ou prédios, as instalações de apoio directo e exclusivo das actividades religiosas, os seminários ou estabelecimentos destinados à formação eclesiástica, as dependências ou anexos dos imóveis anteriores, bem como os jardins e logradouros desses imóveis ou mesmo os bens móveis de carácter religioso. As mesmas entidades estão isentas de imposto de selo sobre aquisições de imóveis para fins religiosos, aquisições gratuitas, criação de fundações.»