Thursday, February 10, 2005

O suicídio

O suicídio, mesmo cometido em público, persiste como o mais misterioso acto do ser humano. Todos os anos, cerca de 600 pessoas se suicidam em Portugal e talvez umas 24000 protagonizem comportamentos para-suicidas, designadamente intoxicações voluntárias ou corte de pulsos, ao ponto de serem atendidas em Serviços de Urgência. Sendo dois universos populacionais distintos, parece que aqui e além se entrecruzam. Em ambos se anunciam pessoas sofridas por quaisquer mágoas. Em ambos se observa que provam o sabor amargo do desespero. A dor que não está limitada ao corpo. A solidão que não deixa ver horizontes. Se uns foram apenas interpretados como viajantes para a morte, outros quiseram tão só espreitar a morte longinquamente. Os primeiros evidenciam uma aparente maior determinação no gesto final, com menor probabilidade de reverter o destino escolhido. Os segundos, torturados pela ambivalência, exibem um jogo comunicacional de manipulação, como um xadrez de sentimentos envolvendo o próprio corpo. No fio da navalha, no risco de todos os perigos, às vezes entre a vida e a morte. Assim se manifestam desamparos e revoltas.
Em Portugal, do ponto de vista epidemiológico, o suicídio mantém o cenário de há decénios, a mesma dualidade do desespero. A Sul de Santarém: elevadas taxas de suicídio, em particular no sexo masculino acima dos 60 anos, com destaque para o Alentejo, um verdadeiro caso-estudo. A Norte de Santarém: baixas taxas de suicídio, muito à custa do Minho e do Grande Porto. O que também surge invariável ao longo dos tempos é a proporção do suicídio entre sexos (relação homem/mulher de 3:1). Em termos de prevenção, o facto de 30% de todos os suicídios ocorrerem após os 70 anos de idade poderá indiciar uma orientação específica, no sentido de contrariar tais determinantes. Na verdade, Portugal não tem o drama de outros países onde o suicídio juvenil é um problema sério. Ao invés, os números do para-suicídio mostram uma tendência crescente, acima da média europeia, principalmente nos adolescentes e adultos jovens do sexo feminino.
A Sociedade Portuguesa de Suicidologia foi fundada em 16 de Dezembro de 2000, mas desde 1996 que já germinava a ideia desta associação científica, a partir das 1as Jornadas sobre Comportamentos Suicidários, em Condeixa. Resultante da confluência de saberes e de investigadores de diferentes disciplinas à volta do estudo das condutas suicidas, a Sociedade Portuguesa de Suicidologia pretende-se desperta para essa realidade do quotidiano. Foi nesta perspectiva que em 21 e 22 de Março levámos a cabo o Simpósio “Solidão e Melancolia” no Instituto Politécnico de Beja. O dinamismo e da abertura desponta agora a construção e a divulgação deste “site”. Envolva-se, contribua com ideias.
Seja bem-vindo.
Professor Doutor
Carlos Braz Saraiva
Presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia

“O aparente bem estar de um jovem, nomeadamente o viver ‘tudo bem’, podem esconder um grande sofrimento interior, que só uma relação de maior proximidade poderá detectar. Estejamos, pois, atentos à nossa volta, para tentarmos evitar um gesto fatal. Se porventura ele acontecer, devemos interrogar-nos em silêncio sobre o que terá falhado e divulgar os serviços de ajuda já existentes no nosso país, de modo a evitar outras mortes”

(Daniel Sampaio, 1999, in revista Adolescentes, nº 11, ano 3, pág. 10)

"A autodestruição surge após múltiplas perdas, fragmentos de dias perdidos ao longo dos anos, rupturas, pequenos conflitos que se acumulam hora a hora, a tornar impossível olhar para si próprio. O suicídio é uma estratégia, às vezes uma táctica de sobrevivência quando o gesto falha, tudo se modifica em redor após a tentativa. E quando a mão, certeira, não se engana no número de comprimidos ou no tiro definitivo, a angústia intolerável cessa naquele momento e, quem sabe, uma paz duradoura preenche quem parte. Ou, pelo contrário e talvez mais provável, fica-se na dúvida em viver ou morrer, a cabeça hesita até ao último momento, quer-se partir e continuar cá, às vezes deseja-se morrer e renascer diferente."

(Daniel Sampaio, 2000, em Tudo o que Temos Cá Dentro, pág. 152)
Este artigo pois hoje uma tia minha suicidou-se. Não sabemos porquê, mas aconteceu.
Tia se respeitasses os que cá ficam, não farias isto. Ficámos tristes com a noticia, além disso, não havia razões para o fazeres. Talvez tivesses as tuas, mas não o devias ter feito. Não sabemos o que se irá passar agora com o tio que também já não está totalmente são. Veremos, e apesar de não concordar com a tua atitude, descansa em paz.

Tuesday, February 08, 2005

Afinal ainda existem estrelas conscientes. Sempre pensei que esta fosse uma espécie já em extinção. Vale a pena ver isto. A familiaridade da voz não é mera coincidência.

Entre Nós e o Sangue

Fim de uma semana de trabalho mais comprida do que o habitual. Antes de desligar o computador e a luz para respirar a folga, uma jornalista marca, de forma quase automática, os números dos telefones da polícia, dos bombeiros, das brigadas de trânsito. Nada de novo? Do outro lado da linha, a simpatia automática e empática com a camada de protecção que ambos deixámos crescer: "Vários acidentes com feridos, mas nada de grave, não há mortos." Boa noite e pronto. Desligar o computador, e deitar uma última olhadela à televisão, onde a guerra enche o ecrã, um ecrã limpo de sangue e cheio de senhores engravatados, que, com uma serenidade impossível, comentam a guerra que acontece muito longe de nós. Um descanso, esta distância.
Desligar a televisão, apagar a luz, respirar a folga no ar frio da noite até entrar no carro, rodar a chave, e sentir a cabeça já muito longe da semana que foi longa de mais, e agora a jornalista sou eu, que fecho a semana com uma condução automática e desatenta, que de repente é alertada por um corpo no chão. Uma travagem brusca. Um corpo no chão. Um carro alguns metros atrás com dois namorados - dois namorados? - abraçados por detrás de um vidro amolgado. Percebo aos poucos que o vidro foi amolgado pelo corpo que está no chão e penso o corpo está morto e lamento não ter um telefone à mão para fazer de conta que nada me toca e perguntar à polícia: o corpo está morto? Pego no telemóvel, marco o 112. Há um corpo no chão. Não, não sei se está morto, normalmente é ao contrário, eu pergunto e vocês respondem e nenhum de nós tem emoção na voz.
Mas não, o corpo não está morto, tem o braço direito numa posição impossível, mas ergue o tronco num olhar vago de sangue em direcção ao carro onde estão dois namorados abraçados, e que afinal não são dois namorados, são um homem em estado de choque e uma mulher que lhe diz que não, que ele não teve culpa, e nenhum deles sai do carro para atender ao corpo no chão. Que falta me faz um bloco de apontamentos, uma caneta, um gravador, sei lá, que se erga entre mim e o corpo no chão. E que falta me faz uma outra língua quando percebo que o corpo é ucraniano e repete sem cessar "police no"; e que falta que me faz a profissão, agora, que não sou jornalista, que sou uma mulher ajoelhada no chão, a beber a terrível solidão de um homem que não é notícia, que está ferido, que não tem amigos ou familiares em Portugal e que só pede "police no". Que falta me faz a televisão, para me distrair deste sangue que aqui está perto e é real e que quase posso tocar. Que falta faz este sangue àqueles senhores engravatados que há bocado falavam num cenário demasiado limpo e por isso podiam opinar, sem emoção, sobre uma guerra que parece ser longe de mais.
Mas não, não há televisão, nem bloco de apontamentos, nem caneta. E eu que a chamei, à polícia, quase peço desculpa a este corpo que me pede "police no". Não estou habituada a esta coisa de acidentes, a não ser que esteja à secretária, a telefonar e a perguntar se há feridos e a pensar que um só ferido não justifica a notícia e por isso se faz favor não se mexa, e digo-o em todas as línguas, e algumas devem ser tão inventadas que ele teima em mexer-se e só repete "police no!" e não percebe que, de cada vez que o diz, se me liberta uma camada de pele, e outra e outra, de tal modo que, quando a ambulância e a polícia chegam, há dois corpos no chão, o meu e o dele, feridos, desprotegidos, perdidos e sós.



Por GRAÇA BARBOSA RIBEIRO
Público - Sábado, 22 de Março de 2003



(confirmados até à data)

Gostaria de acrescentar aqui um outro... :)

Sunday, February 06, 2005

Campanha Eleitoral - Os truques (ou não)

Não sei se será de admirar, no contexto em que nós, portugueses, nos encontramos, que os partidos políticos se deparem com a necessidade de "comprar" apoiantes (figurantes) que assistam aos seus comícios, para que não falem para salas vazias, para que tenham ainda quem os oiça (ou o pareça fazer). O insólito é o povo vender-se por tão pouco. Ou não será? Afinal é apenas à «bom português»: quem resiste a uma ementa de porco na brasa, regado com uma garrafita de vinho, à borla? Pois... De barriga cheia, ouve-se qualquer coisa, mesmo que, mais tarde, se tenha uma forte indigestão. «O que é que isso interessa?»

Meia hora antes do comício do PS arrancar ainda os autocarros fretados pela estrutura local do partido despachavam gente de todo o distrito à porta da sessão socialista. E já tudo é feito às claras!
O PSD, algumas centenas de metros ao lado, contratou meia dúzia de porcos que espetou na braza, e serviu bem regados de vinho a quem aceitasse ficar para ouvir os oradores "laranja".
Enquanto isso Santana mandara um dos seus homens sombra espiar a concentração socialista.
A Câmara socialista de Castelo Branco contratara entretanto um grupo de folclore para abrilhantar um comício partidário.Sócrates e Santana cantaram ambos vitória, depois de contadas as espingardas. Mas que vitória?
Nós sabemos que eles sabem como se enche uma praça ou um pavilhão. As espingardas estavam mais do que contadas antes do arranque do combate.»
Pedro Coelho

(Nota: o "contratou meia dúzia de porcos" também não me soou bem, mas não é da minha autoria... E do PSD pode esperar-se tudo, não é?)

No entanto, mesmo com toda esta organização, a cedência de transportes gratuitos, a «contratação de porcos» e de ranchos folcolóricos, a oferta de vinho (tudo pago por nós, contribuintes), as salas não se encheram... Isto sim é realmente de admirar. Sinal dos tempos que correm?

Saturday, February 05, 2005

Debate PS/PSD


«Os portugueses preferiam que o debate tivesse sido esmagador para uma das partes. Teriam menos trabalho a decidir em quem votar. »

Ricardo Costa


Fonte: SIC Online

Friday, February 04, 2005

Homenagem a Bush


(vale a pena clicar na foto para a ampliar)

Thursday, February 03, 2005

Donna Maria - Sempre para sempre

Há amor amigo,
Amor rebelde,
Amor antigo,
Amor de pele...

Há amor tão longe,
Amor distante,
Amor de olhos
E amor de amante.

Há amor de Inverno,
Amor de Verão,
Amor que rouba
Como um ladrão...

Há amor passageiro,
Amor não amado,
Amor que aparece,
Amor descartado...

Há amor despido,
Amor ausente,
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto,
Amor pensado,
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado...

Há amor secreto
De cheiro intenso,
Amor tão próximo,
Amor de incenso...

Há amor que mata,
Amor que mente,
Amor que nada, mas nada...
Te faz contente... Me faz contente...

Há amor tão fraco,
Amor não assumido,
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno,
Sem nunca talvez...
Amor tão certo,
Que acabe de vez.

Há amor de certezas
Que não terá dor,
Amor que afinal,
É amor sem amor.

O amor é tudo, tudo isto...
E nada disto... para tanta gente
É acabar num amor igual.
E começar, um amor diferente...

Sempre... Para sempre... Para sempre...


Esta música, que não será bem uma música, mas sim diversas definições de amor, foi me ofertada pela Sue, priminha do meu coração. ihih
Quem brincar com ela, brincará comigo, porque com o amor não se brinca. Há tantos momentos em que desejamos a solidão, mas talvez não no amor... Amor não se faz sozinho, não se consegue viver só. Momentos de isolamento, momentos de calma espiritual. Desejamos o que não temos, e tantas vezes até temos o que desejamos, mas não sabemos dar o devido valor, triste, mas real. Boa sorte para ela e que nunca chegue um dia em que temos de nos separar, por qualquer razão que seja.

Wednesday, February 02, 2005


Explicação básica das suas fases para leigos (entenda-se: homens)

Fase 1 - a Fase Meiguinha
Tudo começa quando a mulher começa a ficar ternurenta, muito carinhosa. Bom sinal? Talvez, se não fosse mais do que o normal. Ela abraça-o nada, fala com aquela vozinha de criança e com todas as palavras no diminutivo. A fase começa chegar ao fim quando ela diz que está com uma vontade absurda de comer chocolate. O que se segue, é uma mudança subtil desse comportamento, aparentemente inofensivo, para um temperamento um pouco mais depressivo.


Fase 2 - a Fase Sensível
Ela passa a emocionar-se com qualquer coisa, desde uma pequena rachadura em forma de gatinho no azulejo em frente à sanita, até a uma repetição de um documentário sobre a vida e a morte trágica de Lady Di. Esse período atinge um nível crítico com uma pergunta que assombra todos os homens, desde os mais inexperientes até aos mais entendidos no assunto:
"Achas que eu estou gorda?"
Notem que não é uma simples pergunta retórica. Reparem na entoação, na escolha das palavras. O uso simples do verbo "estou" em vez da combinação "estou a ficar", torna o efeito da pergunta muito mais explosivo do que se possa imaginar. E essa pergunta é só o começo da pior fase da TPM. Essa pergunta é a linha divisória entre essa fase sensível da mulher para uma fase mais irascível.


Fase 3 - a Fase Explosiva
Esta é a fase mais perigosa da TPM. Há relatos de mulheres que cometeram verdadeiros genocídios nesta fase. Provavelmente, até várias limpezas étnicas foram comandadas por mulheres na TPM. Exagero à parte, realmente esta é mesmo a "TAL" fase. Ele chega à casa dela, ela está de pijama, de pantufas e descabelada. A cara não é das melhores quando ela lhe dá um beijo bem rápido, seco e sem língua. Depois de alguns minutos de silêncio total da parte dela, ele percebe que ela está a assistir àquele canal japonês que nem ela nem ele sabem o nome. Parece ser uma novela ambientada na era feudal. Sem legendas... Então, meio sem graça, sem saber se fez alguma coisa errada, ele faz aquela famosa pergunta: "Tá tudo bem?". A resposta é simples e seca: "", sem olhar na cara dele. Não satisfeito, ele emenda um "Tens a certeza?",que é respondido mais friamente ainda e com um resmungo baixo e cavernoso "teenhoo...". Aí, ele desiste e passa a tentar acompanhar o que Tanaka está a tramar para conseguir tirar Kazuke de Joshiro, o galã da novela que...
- Merda, vês?! - resmunga ela de repente.
A Fase Explosiva acaba de atingir o seu auge com essa pergunta. Sem querer, ele acabou de puxar o gatilho. O que se segue é algo do tipo:
- Tu não me ligas nenhuma! Eu aqui quase a chorar e nem sequer me perguntas o que tenho! Mas claro! Só sabes falar de ti próprio! Ah, o teu dia foi uma merda? O meu também! E nem por isso eu fico para aí a lamentar-me como tu! E pára de me olhar com essa cara! Essa que tu fazes, e que sabes que me irrita! E não sabes! Aquele vestido que me deste ficou apertado! Aaaai, eu fico looooouca quando essas coisas me acontecem! Também, não quiseste ir comigo ao centro comercial trocar aquela merda! O pior de tudo é que hoje, quando estava a ir para o trabalho, um motoqueiro meteu-se comigo e tu não fizeste nada! Para que servem esses treinos todos? Ah, não estavas comigo? Por que não estavas comigo na altura? Tavas com alguma vagabunda? Aquela tua colega de trabalho, só pode ser ela. E nem pra me trazer uma porra de um chocolate! Cala-te! Só a tua voz já me irrita! Aliás, vai-te embora antes que eu faça alguma asneira. Sai-me da frente!"
Desnorteado, ele vai-se embora. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma dentada.


Fase 4 - a Fase da Cólica
No dia seguinte o telefone toca. É ela, com uma voz chorosa, dizendo que está com uma cólica absurda, de não conseguir nem andar. Ele vai a casa dela e ela recebe-o de uma forma dócil, super amável. Faz uma cara de coitada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior, e pede-lhe para ir à farmácia comprar uma tonelada de Trifenes ou Buscopans para acabar com a dor dela. Ele sai para comprar o remédio meio aliviado, meio desconfiado. E pronto! A paz reina novamente.

Excerto do Alvim

"Escrevi o teu nome em todas as paredes. À medida que avançaste pela Avenida da Liberdade, o teu ar de espanto foi aumentando até ao clímax absoluto que se deu no preciso instante em que viste, no cimo do céu, uma avioneta que transportava um pano enorme com a frase «I miss you baby!».
Como sempre, foi pouco para ti. Porque eu saibo-te a pouco, porque te saibo a nada, porque eu não existo, pronto. Não te vejo, mas sinto-te. Não estou contigo, mas tu estás aqui. Dentro de ti está tudo muito escuro, mas aqui deste lado, enquanto o sol da manhã me entra pela janela como se fosse uma brisa muito fresca, o tempo está claro.
O teu cheiro está sediado na minha alma. Não adianta disfarçar. Não vale a pena. Chorei tudo o que havia nos meus olhos, não existe mais nada aqui. Estou seco, como naqueles dias em que acordas com o deserto na boca.
Vivo todos os dias contigo, mas tu não. Vives sem mim e isso irrita-me. Ainda hoje não aceito isso. Castigo a toda a hora as minhas sobrancelhas por tua causa. Mas perdi a esperança. Toda. Estou fodido no cais do embarque, com o bilhete na mão, com toda a gente a olhar para mim e tu lá longe, com o teu motor, vestida de ferry-boat, em tons de laranja e preto. Sem sequer olhares para trás, sem teres atrasado deliberadamente a hora de partida, sem que tenhas feito algum esforço para queimar uns minutos, dando-me tempo de chegar. Eu sou esse que vês daí, do alto mar, de braços erguidos ao céu, a gritar o teu nome, como um louco, como alguém já sem vergonha de ser visto como tal. Quero lá saber.
Eu sou a ira, a mágoa em forma de homem. Tu és o barco que corre sem misericórdia, para o mesmo sítio de todos os dias. Eu sou esse mesmo que te perdeu no cais do embarque, tu és aquela que nunca me esperou. E mesmo assim, ainda hoje, ali ao lado da Praça do Comércio, finjo que vou comprar o jornal para saber as últimas, e olho para o infinito, na esperança de te ver um dia, sem pressa de partir.
Mas o teu vestido de ferro, não se inibe com as minhas lágrimas de aço. E a tua voz parece-me agora um sinal de partida, repetido, igual a todos os outros, monocórdico, como um sinal de interrompido de um telefone há muito cortado. E só agora percebi o que dizes e afinal era tão fácil. Dizes que és o que eu sempre soube. Um ferry-boat. Isso mesmo, um barco que parte à hora certa, com destino marcado, sem poder esperar por ninguém, sem nada que o impeça de partir."

Este excerto, é um dos mais "loucos" do livro do Fernando Alvim, "No dia em que fugimos tu não estavas em casa", todo o livro está carregado de sentimentos nobres, e talvez reais. Há partes em que dão para pensar profundamente. Para um comediante o livro está extremamente bom, que quem não conhecesse tamanha faceta do Alvim, diria que ele é um profissional da escrita. Exagero? Julgo que não. Adorei cada pasasgem deste livro, mas em especial esta. Talvez porque, de certa maneira, é uma das mais parecidas com alguma situação da minha vida. Aconselho a compra deste livro, e que o leiam, mas com olhos de alguém com vida, e não de um ser inanimado, que odeia viver.

Tuesday, February 01, 2005

Capitalismo

CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um boi.
Eles multiplicam-se , e a economia cresce.
Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!

CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas.
As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodka.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas.
E reclama porque o seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas.
Uma delas é roubada.
O governo cria o IVVA- Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.
Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.
O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...

Sunday, January 30, 2005

Curiosidades sobre... Kamasutra

1 - Conhecido ou pelo menos muito comentado no mundo todo, o Kama Sutra é um livro sobre sedução, amor e sexo. Ele foi escrito em sânscrito num período não muito bem definido, provavelmente entre os séculos 3 e 4. Acredita-se que, durante aproximadamente 20 anos, o teólogo indiano Mallanaga Vatsyayana tenha reunido e organizado uma colectânea de textos antigos de escritores indianos, além de provavelmente se ter baseado em experiências pessoais para produzir a obra que acabou por virar um símbolo do erotismo.
2 - Na mitologia hindu, Kama é o deus do amor que corresponde a Eros na mitologia grega e a Cupido na romana. Sutra significa comentário ou dissertação. Portanto, Kama Sutra quer dizer algo como Dissertação sobre o Amor.
3 - No mundo ocidental a obra só começou a popularizar-se após uma tradução feita em 1883 pelo explorador inglês Richard Burton que também pôs os europeus em contacto com a famosa colectânea de histórias árabes As Mil e Uma Noites. Burton na verdade fez apenas um resumo do Kama Sutra original, seleccionando as partes mais ousadas, erotizando bastante o texto e direccionando a obra para o público masculino. Por isso, o livro escandalizou a Europa, sendo considerado obsceno. Para se redimir, o explorador resolveu fazer uma tradução integral, mas acabou por morrer antes de a publicar.
4 - No livro há a descrição de 529 posições sexuais. Parece muito, mas a maioria delas são, como diria o Paralamas do Sucesso, variações do mesmo tema sem sair do tom. Ou seja, numa a perna estica um pouquinho pra cá, na outra pra lá... No século XIX, quando Burton trouxe a obra para o Ocidente, esse didactismo erótico pode até ter chocado. Mas não há nada que Hollywood já não tenha mostrado em alguns filmes ousados.
5 - Curiosos mesmo são os nomes das posições sexuais descritas. É que Mallanaga Vatsyayana se inspirava na natureza e no acto sexual dos animais, que considerava uma óptima fonte de conhecimento para os humanos. Por isso entre as centenas de posições aparecem nomes como Congresso de Vaca, Caranguejo e Rachar de um Bambu. Isso é que é originalidade!
6 - É provável que uma das posições mais complexas do Kama Sutra seja o chamado Acto das Cabras, quando vários homens praticam o acto sexual com a mesma mulher, um segurando-a, outro possuindo-a e um terceiro apoiando o quadril dela. No estilo, digamos, mais tradicional, envolvendo apenas um casal, uma das posições mais difíceis é certamente a Giratória, uma sequência de movimentos para contorcionista nenhum botar defeito.
7 - Mas engana-se quem pensa que o Kama Sutra é apenas um grande guia de inusitadas posições sexuais. A obra é um verdadeiro tratado sobre o amor, dividido em sete partes, discutindo desde temas filosóficos, como a necessidade de cumprir certos deveres sociais, religiosos e morais, até a preocupação com a escolha da(o) parceira(o) ideal. Há ainda várias instruções sobre preparativos para os encontros sexuais e para as carícias preliminares.
8 - Alguns capítulos tratam apenas de regras para a higiene pessoal. O autor chega até a indicar o número de banhos necessários e a recomendar a aplicação de óleos no corpo a cada dois dias - a barba só deveria ser feita de quatro em quatro. Vatsyayana também mostra preocupação com a importância de se criar uma atmosfera adequada para o amor. Segundo o escritor, o ideal seria o bom amante morar à margem de um lago de água doce, construindo o quarto do casal na parte de trás da casa.
9 - Pode parecer um pouco de sadomasoquismo, mas várias páginas do Kama Sutra foram dedicadas ao ensinamento de técnicas para morder e arranhar a(o) parceira(o). E aqui novamente entram em cena curiosos nomes inspirados nos animais. Um dos arranhões mais estranhos, por exemplo, é o Pulo de uma Lebre, em que se faz uma marca com as cinco unhas da mão ao redor dos dois mamilos. Mas é claro que entre palmadas também há beijos e abraços. E de variados tipos, só que com nomes mais inspirados no reino vegetal, como o abraço Mistura de Semente de Gergelim com Arroz, quando os amantes ficam abraçados deitados e esfregando seus corpos.
10 - Aficionado por definições, Vatsyayana também usou capítulos do livro para classificar tanto os homens como as mulheres em diferentes categorias, levando em conta desde o temperamento e o formato do corpo até, acredite se quiser, o tamanho do pênis. O Homem-Lebre, por exemplo, é reconhecido por ter o pénis erecto entre 7 e 12,5 centímetros e por ter uma conduta honesta e apetite por comida moderado. Já o Homem-Cavalo, claro, tem o membro erecto com mais de 17,5 centímetros, mas em compensação é precipitado e preguiçoso...

Fonte: Mundo Estranho

Não resisti... l0l Afinal parece que o Kamasutra vai muito além do que é dito por aí. Acho que cada um dos tópicos tem muito para ser comentado. =P

Wednesday, January 26, 2005

O antes e o depois...


(A pedido do Sr. Obelex...)
Digam lá que não está um bom partido... ;)

Tuesday, January 25, 2005

Há dias assim...


«Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?
"Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"»

Muitas vezes, não nos lembramos de que todos nós estamos integrados numa teia social, de que existe muito mais para além de nós próprios. Sinceramente, lamento muito por todas as vezes que magoei alguém, por todas as vezes em que me perdi no fascínio do isolamento, quando contavam com a minha companhia. Lamento também por todas as vezes em que não correspondi às expectativas das pessoas de quem gosto, em que desiludi alguém que não queria. Tenho consciência de que não faço o melhor que sei, mas tenho feito o melhor que posso. Infelizmente, isso nem sempre é o suficiente para toda a gente. Há sempre alguém que quer mais... e mais... mas estou cansada... vou dormir.

(Eu sei que isto vai contra tudo o que tenho dito ao Sr. Caetano sobre a autonomia individual, mas todos temos dias assim...)

Sunday, January 23, 2005

Sócrates...

Uma pequena pergunta apenas para este post...
  • Se Sócrates sabia que não sabia nada, como é que ele sabia que não sabia nada?

Sou só eu, ou isto é quase como a teoria de "Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?" Maluquices...