Tuesday, November 30, 2004
O Sexo
«Não há amor como o primeiro»
Continuo a achar que a importância do “primeiro amor” é muito relativa, pode não ser assim tão significativo como nos tentam fazer pensar, mas parece-me que realmente se pode dizer que é, não único, mas mais único do que os outros.
Monday, November 29, 2004
Aquarela
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando,
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
e se a gente quiser ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida,
depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela niguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá)
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá)
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (e descolorirá)
Sunday, November 28, 2004
Perguntas...
Saturday, November 27, 2004
Sunday, November 21, 2004
«Diário de uma celebridade: a missa e o estacionamento»
Estrábico
mas fica a impressão inconsciente de outros tempos,
e da tua imagem, no meu olho vesgo.
Vejo tudo em dobro, e assim a televisão
conta-me sempre coisas em demasia...
Vivo parado, vivo em correria
dentro da casa, fora, na rua,
longe de ti, perto da gente
transeunte e fria aos meus olhos desviados...
Minha visão é dupla, e meus gritos são silenciados
pela carne crua da TV, todos os dias.
E tudo se borra, de repente,
e me acomodo e agradeço a quase cegueira,
ao anoitecer, na sala vazia.
(Se tenho medo, disfarço e olho as plantas na janela, testemunhas verdes da perene indecisão.)
Sempre ponho os óculos, e os tiro logo, comovido.
Eles atrapalham-me e consomem o pouco de magia que ainda me sobra,
fazem-me ver com nitidez tudo o que não quero.
E se às vezes penso um pouco, a alma arrefece
e estarreço com o meu papel,
e o juízo falha, por ter desaparecido
a nitidez dos primeiros dias.
Sabes, querida? Anseio por perder a razão
pouco a pouco, ou de uma só vez.
Temo ter pra sempre a visão exacta e estreita
da realidade dessa minha vida,
da programação direccionada dos meus dias,
... a menos que, na minha tela antiga,
voltes a estrelar nosso show diário de variedades...
E te mostres em corpo inteiro, menos descabida,
mais singela, plena de luzes
e cores,
como nos vídeos, lembras-te?
Os nossos piqueniques nos fins-de-semana ensolarados,
quando éramos apenas apreciadores românticos
das nossas paisagens e cenários,
feitos com a tinta dos gestos,
e os meios-tons dos nossos corpos entrelaçados...
Friday, November 19, 2004
O jantar...
Portishead - Glory Box
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play.
For I've been a tempteress too long,
Oh yeah,
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be a woman,
I just want to be a woman
From this time unchained,
We're all looking at a different picture,
Through this new frame of mind,
A thousand flowers could bloom,
Move over and give us some room
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be a woman,
I just want to be a woman
So don't you stop being a man,
Just take a little look from outside when you can,
Sow a little tenderness,
No matter if you cry
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be a woman,
I just want to be a woman
(Its all I want to be, a woman),
So I just want to be a woman,
For this is the beginning of forever and ever,
Its time to move over now,
(So I want to be)
I'm so tired of playing,
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play.
For I've been a tempteress too long,
Oh yeah,
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be a woman.
Natal
Mas, é do conhecimento de todos que o Natal não é só isto (infelizmente). Existe ainda a sua dimensão religiosa e a sua dimensão comercial.
Quanto à religiosa, o verdadeiro significado de Natal prende-se com o nascimento de Cristo, que veio ao Mundo com um único propósito: «o de justificar os nossos pecados através da sua própria morte. Nesses tempos, sempre que alguém pecava e desejava obter o perdão divino, oferecia um cordeiro em forma de sacrifício. Então, Deus enviou Jesus Cristo que, como um cordeiro sem pecados, veio ao mundo para limpar os pecados de toda a Humanidade através da Sua morte, para que um dia possamos alcançar a vida eterna, por intermédio Dele, Cristo, Filho de Deus». Inicialmente, a Igreja Católica não comemorava o Natal. Foi em meados do século IV d.C. que se começou a festejar o nascimento do Menino Jesus, tendo o Papa Júlio I fixado a data no dia 25 de Dezembro, já que se desconhece a verdadeira data do Seu nascimento.
Quanto à sua dimensão comercial, parece-me que é bem visível, mais do que outra qualquer. As lojas passam a estar abertas 24h por dia, as pessoas abrem os cordões às suas bolsas e gastam tudo o que têm (e, por vezes, o que não têm), só porque “parece mal” não se oferecer algo que tenha um valor comercial razoável. Mas e o valor sentimental? E a história do que “o que conta é a intenção” onde fica? Será que deixou de ter importância?
Pessoalmente, eu sou muito afectada pelo espírito natalício, talvez por ser aquela época do ano que melhores recordações me traz. Haver uma noite no ano em que se consegue fazer que uma família, demasiado grande e extremamente complicada, mantenha uma relação minimamente “simpática”, é bastante reconfortante (independentemente das razões pelas quais isso acontece). O simples facto de nos conseguirmos reunir por umas breves horas e todos fazerem um esforço (que poderia muito bem ser feito todos os dias do ano, mas isso é outro assunto) para serem “cordiais” uns com os outros, é um bom motivo para se gostar do Natal. Aqueles rituais de se “fazer a árvore”, de se estar reunidos em volta da lareira, de abrir as prendas à meia-noite, de se ficar acordado até às tantas da manhã, a falar-se dos “bons velhos tempos” e a ouvir-se os avós a contar as histórias da juventude deles, são algo de raro e de “único”, pelo menos ao longo de um ano inteiro. Pena que aconteça apenas como justificação de ser dia 25 de Dezembro.
É exactamente o mesmo quando se fala do “cessar-fogo” nas guerras, apenas por causa de “ser Natal”. É claro que é algo de positivo, mas é um pouco estranho fazê-lo apenas por algo que a maioria das pessoas nem sequer sabe muito bem o que significa. Não se cessa fogo quando morrem milhões de pessoas, não se cessa fogo quando se destroem milhões de lares, não se cessa fogo quando há milhões de desalojados, não se cessa fogo quando os soldados já não aguentam mais e já nem sabem qual é o motivo da sua luta, não se cessa fogo quando apenas duas pessoas (ou até mesmo uma) querem realmente que a guerra continue. Mas: “É Natal, TEMOS de cessar fogo.”. Porquê? Não me parece que seja algo muito coerente. Supostamente o Natal é uma celebração católica, logo, se se toma uma decisão de acordo com os princípios e valores desta religião, estes teriam de ser aplicados todos os dias, e não apenas num dia por ano.
Susana Nunes
Thursday, November 18, 2004
Tabaco
SG Ventil e SG FiltroCigarros têm pesticida proibido
Que eles podem matar já todos estamos fartos de saber, estaríamos era longe de imaginar que os cigarros SG Ventil e SG Filtro contêm um pesticida, proibido na Europa desde 2001. A conclusão é de um estudo da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, divulgado pela RDP.
Em declarações à rádio pública, a investigadora Maria Teresa Vasconcelos revelou que resquícios de Dialdrin, um pesticida potencialmente cancerígeno, foram encontrados nas folhas de tabaco e nas partículas aspiradas resultantes da queima destes dois tipos de cigarros, produzidos pela Tabaqueira Nacional.
O estudo incidiu sobre quatro tipos de tabaco aleatoriamente escolhidos.
Maria Teresa Vasconcelos recorda que o Dialdrin foi proibido na Europa pela Convenção de Estocolmo, em 2001, e que o seu uso está também proibido na América desde 1983.
A Tabaqueira SA já recusou responsabilidades na eventual presença do pesticida proibido no tabaco, alegando que não cultiva a planta.
Dia Nacional do Não FumadorGoverno limita locais de fumo
No Dia Nacional do Não Fumador, o Executivo anuncia que será proibido fumar nos restaurantes, bares, locais de dança, unidades de saúde, farmácias, meios de transporte, instituições para idosos, escolas e locais de trabalho fechados. A nova legislação visa melhorar a «protecção da saúde dos não fumadores da exposição involuntária ao fumo passivo».
As novas regras são apresentadas hoje pelo ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, não se sabendo ainda a data exacta para entrarem em vigor. A par dos locais onde o fumo do cigarro passará a ser interdito, o Governo pretende também introduzir limites na actividade publicitária neste campo.
Será, assim, proibida «a promoção ou o patrocínio de campanhas de prevenção do tabagismo por empresas que comercializem produtos do tabaco, uma vez que os interesses destas empresas são inconciliáveis com o objectivo de proteger a saúde dos cidadãos», justifica o ministro da Saúde no documento que hoje apresenta aos demais elementos do Governo.
Também a assinalar o dia, o Hospital de São João, no Porto, revela que um em cada cinco médicos (23%) é fumador. A conclusão consta de um estudo feito pelo Serviço de Otorrinolaringologia, que apurou ainda existir uma maior incidência de clínicos fumadores nas áreas de clínica geral e familiar e de saúde pública.
As mulheres são as que mais fumam, sobretudo se vivem no Alentejo. A média de idades da maioria dos médicos fumadores ronda os 55 e os 64 anos. Os números revelados pelo estudo preocupam os responsáveis: «Os médicos deviam ser modelos comportamentais e esta não é uma atitude correcta e adequada», alerta o presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo, Pais Clemente.
Expresso, 17 Novembro 2004




