Estudante ferido em confrontos com a polícia
Alunos da Universidade de Coimbra tentam invadir reunião do Senado
Um grupo de alunos da Universidade de Coimbra tentou entrar na sala onde decorria a reunião do Senado, mas foi travado pela PSP. Pelo menos um estudante da Universidade de Coimbra ficou ferido.
Às 15h40, cerca de duas centenas de estudantes fizeram uma investida para forçar a entrada no edifício central do Pólo II da universidade, no Pinhal de Marrocos, mas foram impedidos de avançar pelo forte contingente policial que se encontra no local.De acordo com relatos de alguns manifestantes, as forças da ordem terão usado gás pimenta para dispersar os alunos, tendo-se gerado confrontos entre universitários e agentes policiais.Entretanto, às 16h50, uma força do Corpo de Intervenção (CI) da PSP chegou ao local e os agentes, guarnecidos com equipamentos anti-motim, formaram uma barreira contra a qual os estudantes tentaram romper, entre os quais o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), Miguel Duarte.A reunião extraordinária de hoje do Senado foi convocada pelo reitor, Seabra Santos, para analisar a interrupção da abertura solene das aulas, na Sala dos Capelos, na semana passada, por um grupo de estudantes em representação do Conselho de Repúblicas.Posteriormente, os senadores foram informados de que a ordem de trabalhos incluía um ponto relativo à fixação das propinas, o que foi interpretado por alguns alunos, na Assembleia Magna da madrugada de hoje, "como uma retaliação" pelos acontecimentos do dia 13, na Sala dos Capelos.A Assembleia Magna aprovou como acção de protesto, contra a actual política para o ensino superior e demarcando-se do papel de Seabra Santos face às medidas do Governo para o sector.
"Agimos com contenção"PSP diz que a sua actuação em Coimbra foi adequada às circunstâncias
A Polícia de Segurança Pública diz ter actuado com "proporção e contenção" nos incidentes de ontem com os estudantes, em Coimbra. Um jovem foi detido e vai ser ouvido, hoje, em tribunal, por agressão a um agente da polícia.
O comando da polícia de Coimbra, num comunicado de 11 pontos, dá hoje a versão dos acontecimentos de ontem. "A PSP, tendo em conta os incidentes de 19 de Outubro, decidiu prevenir e garantir a ordem e tranquilidade pública", pode ler-se no comunicado.Às 13h30, cerca de 350 estudantes, números das autoridades, concentraram-se junto do local onde o Senado ia reunir. A PSP afirma que "à entrada dos elementos do Senado, os alunos reagiram com apupos e insultos".Perto das 15h30, os estudantes começaram, de acordo com palavras do comando de polícia, "a movimentar-se de forma hostil e a pontapear alguns agentes. Na resposta, os polícias usaram um spray defensivo para evitar o uso de força física. Os manifestantes atingidos com o spray foram assistidos por uma ambulância do INEM".A PSP justificou a chegada do corpo de intervenção com "a continuação da pressão dos estudantes". Segundo com o comando de Coimbra, a polícia especial formou entretanto um cordão policial "a fim de isolar a área e repor o gradeamento". Na explicação da PSP o estudante só é detido por ter "pontapeado um dos polícias".No final da reunião do Senado, foi criado um corredor de segurança para proteger os elementos que tinham estado reunidos. No entanto, "alguns deles foram atingidos com ovos e água pelos manifestantes", segundo a PSP.No final do comunicado, a polícia diz ter usado a força proporcional aos acontecimentos em questão, de forma a reduzir o impacto da intervenção.O estudante detido tem 18 anos e será hoje ouvido em tribunal às duas da tarde. A sessão esteve marcada para hoje de manhã, mas foi adiada. O aluno passou a noite na esquadra.
Vigília em Coimbra retomada
Estudantes solidários com colega detido
Dezenas de estudantes planeam retomar hoje a vigília de solidariedade junto à esquadra da PSP de Coimbra. Querem que seja libertado o colega detido durante uma manifestação contra as propinas. O jovem vai ser ouvido hoje em tribunal por agressão a agentes da PSP, nos confrontos de ontem.
Os estudantes de Coimbra suspenderam pouco depois das 4h00 de hoje a vigília de solidariedade para com o colega detido na esquadra da PSP, decidindo retomá-la cerca das 9h30, para o acompanhar ao tribunal.Desde a 1h00 de hoje, duas a três centenas de estudantes mantinham-se junto à esquadra da PSP pedindo a libertação do colega João e manifestando a solidariedade da academia coimbrã.João, um "caloiro" do curso de jornalismo, que há quinze dias se encontra em Coimbra, foi quarta-feira à tarde detido sob a acusação de agressão a agente da autoridade durante uma manifestação contra a decisão do Senado da Universidade de fixar o montante das propinas.Cerca das 4h00, o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), Miguel Duarte, dirigiu-se aos estudantes concentrados para propor a suspensão do protesto, convidando-os a descansar para retomar logo de manhã o acompanhamento solidário do detido.A vigília dos estudantes, junto à esquadra da PSP decorreu sem incidentes. No entanto, no edifício da esquadra e comando distrital da PSP era visível um considerável dispositivo de agentes, e as entradas encontravam-se protegidas por barreiras metálicas.O dia de hoje será mais uma jornada de luta dos estudantes de Coimbra e para as 22h00 está marcado um plenário de alunos da universidade para analisar o momento de crise e definir novas estratégias. Para a quarta-feira da próxima semana está agendada uma nova Assembleia Magna da academia, que faz parte do processo de mobilização que culminará, nesta fase, na manifestação nacional marcada para 4 de Novembro em Lisboa.Outras iniciativas serão entretanto desenvolvidas pela AAC. No entanto, a tradicional serenata que costuma abrir a semana do caloiro foi cancelada por volta das 0h00, por "não haver condições para se realizar, por se encontrar um colega preso", disse Miguel Duarte.Termo de identidade e residência
Estudante detido em Coimbra vai aguardar julgamento em liberdadeO aluno da Universidade de Coimbra detido quarta-feira na sequência de confrontos com a PSP vai aguardar o julgamento em liberdade, anunciou hoje o dirigente estudantil Miguel Duarte.
O estudante, "caloiro" da licenciatura de Jornalismo, que está em Coimbra há apenas algumas semanas, foi ouvido durante duas horas no Tribunal de Instrução Criminal (TIC), tendo saído em liberdade cerca das 16h00. Como medida de coacção, o TIC fixou o termo de identidade e residência ao jovem universitário, acusado de ter agredido um polícia. O estudante deve comparecer na PSP local de 15 em 15 dias, até à realização do julgamento.O advogado do arguido, Miguel Ângelo Melo, explicou que recai sobre o estudante, "detido em flagrante", a acusação pelo crime de resistência e coacção a funcionário, punível com pena de prisão até cinco anos, segundo o artigo 347 do Código Penal.Entre as 14h00 e as 16h00, à porta do TIC, concentraram-se pelo menos 200 estudantes da UC solidários com o colega que estava a ser interrogado. "Libertem o João", "João amigo, a academia está contigo" e "Repressão policial outra vez em Portugal" foram algumas das palavras de ordem mais ouvidas.
Não poderia deixar passar os últimos acontecimentos no mundo académico conimbricense em branco. Tudo o que se tem passado tem sido alvo de inúmeras discussões e de debates inconclusivos. Toda a gente tem o seu ponto de vista, do qual não pretende renunciar. É óbvio que não será aqui que chegaremos a alguma conclusão, nem que modificaremos alguma coisa, mas acho que será um bom tema de discussão, já que as perspectivas existentes são todas muito subjectivas.
Na minha opinião, há que ir por partes. Primeiro: a questão das propinas. Sempre fui contra o pagamento de propinas... não é suposto o ensino ser público e acessível a todos? Não é isso que diz a nossa Constituição? Aliás, por que razão pagamos impostos? Não é para o Estado nos dar aquilo a que temos direito? E não é a educação um direito fundamental a qualquer ser humano, sobretudo, num país "civilizado" como o nosso? Mas, pondo esse assunto de lado por um momento, considerando que pagar propinas nem é algo que seja tão errado assim, mas um investimento no nosso futuro. Com que fundamento é que aumentam as propinas, chegando ao limite permitido por lei, se as Escolas Superiores e as Faculdades não melhoram de condições (aliás, é fácil constatar que pioram de ano para ano...), nem o ensino sobe a nível de qualidade? Onde é gasto o dinheiro que investimos?? Se a questão anterior já me parecia muito pouco correcta, então esta é realmente incompreensível.
Segundo: a contestação feita pelos estudantes. Às vezes questiono-me se as coisas têm sido feitas da maneira mais correcta. Sobretudo, quando assistimos a cenas violentas como as destes dias. É óbvio que também não tenho nenhuma solução, mas talvez uma melhor organização ajudasse. Há muita gente que aproveita momentos destes não para mostrar a sua posição contestatária e para defender os direitos de um determinado grupo, mas para poder soltar e expressar a sua revolta individual. Não acredito que a grande maioria dos estudantes que se manifestaram tenham "partido para a pancada", sem mais nem menos. O que me parece é que por causa de uns, pagam outros.
Relativamente ainda a este assunto, não entendo também o porquê de se cancelar a serenata ou, como aconteceu o ano passado, pensar-se em cancelar a Queima das Fitas. Eu sei que para nós, estudantes, tem um grande significado. Mas que valor tem isso para os órgãos do poder? Não me parece que eles percam alguma coisa, deve até ser menos uma preocupação. Para mim, é comparável ao pagamento de promessas a nível religioso (que analogia... lol). Pode ser para nós, por exemplo, um grande sacríficio ir a Fátima a pé e isso ter um grande valor, mas de que adianta? Não acredito que grande coisa... Mas é aquela coisa: há sempre quem acredite.